Mercosul redobra aposta comercial pela Europa com países da EFTA

Bruxelas, 17 Fev 2017 (AFP) - A Europa interessa duplamente ao Mercosul, que acaba de firmar, nesta sexta-feira (17), com os países europeus da EFTA o início formal de suas negociações comerciais em junho na Argentina, enquanto avançam seus diálogos sobre um tratado de livre-comércio com a União Europeia.

"Buenos Aires acolherá a primeira rodada [de negociações para um acordo comercial] em junho", disse à AFP um porta-voz da Associação Europeia de Livre-Comércio, bloco também conhecido como EFTA e que agrupa Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

Esse anúncio ocorre um dia depois de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai concluírem em Bruxelas, junto com representantes do Executivo comunitário, os preparativos para a próxima rodada de negociações sobre o acordo com a UE, que acontecerá em março na capital argentina.

A negociação comercial com os países da EFTA "é vista com otimismo, como parte da abertura do Mercosul", indicou uma fonte do bloco sul-americano, afirmando que a primeira rodada "formal" em Buenos Aires, em junho, acontecerá no nível de chefes negociadores.

O encontro em Bruxelas, onde se estabeleceu "o marco das negociações", foi presidido pelo argentino Guillermo Daniel Raimondi, em nome do Mercosul, e pelo norueguês, Sveinung Roren, em representação do bloco europeu, informou um comunicado da EFTA.

Além de fixar a segunda rodada em agosto, segundo a mesma fonte, ambos os blocos entraram em acordo na "troca de informação necessária", visando ao início dos diálogos formais, como "nomenclatura, estatística e legislação sobre política comercial", detalhou a fonte sul-americana.

No Fórum Econômico Mundial de Davos, os dois blocos concordaram que começariam a negociar um acordo de livre-comércio, após um período de encontros exploratórios desde 2015. Nesse mesmo ano, o comércio entre os blocos superou US$ 8,7 bilhões, apontam dados da EFTA.

Negociação com União Europeia avançaO Mercosul aproveitou as conversas em nível técnico com a UE - entre segunda e quinta-feira em Bruxelas - para preparar as rodadas de março na Argentina, quando encontrará os representantes da EFTA, explicou à AFP uma fonte próxima às negociações.

Sobre o tratado de livre-comércio com a UE, uma fonte da Comissão Europeia explicou que "vários grupos se reuniram em nível técnico em Bruxelas esta semana para continuar avançando nas negociações de textos", depois de acordarem em outubro "intensificar o trabalho técnico".

Concretamente, foram discutidas questões sobre medidas de saúde e fitossanitárias, assim como compras públicas e serviços, explicou a fonte sul-americana, para quem "o processo está em curso" e em boa situação.

"Existe um compromisso muito forte de ambas as partes sobre se, desta vez, poderemos fechar o acordo", acrescentou esta fonte, referindo-se ao fracasso de 2004, que paralisou as conversas iniciadas em 1999 até sua retomada em 2010.

Para evitar o fracasso de 2004 e consolidar a retomada das negociações desse espaço de livre-comércio de 760 milhões de pessoas, ambos os blocos deixaram de lado a troca de ofertas de maio passado de produtos sensíveis, como carne bovina e etanol, que ocorrerá mais adiante.

A França, que terá eleições legislativas e presidenciais no primeiro semestre de 2017, já expressou seus temores pelo impacto em seu setor agrícola de um eventual acordo com o Mercosul, decidindo adiar a negociação dos produtos sensíveis até que ocorram as eleições.

Entre 2004 e 2017, o contexto internacional mudou com a chegada à Casa Branca do protecionista Donald Trump, que estimulou os 28 países a acelerarem seus diferentes acordos comerciais, como o do Mercosul e a modernização do tratado vigente com o México.

"Eu agora tenho uma prioridade, que espero que todos compartilhem, que é fazer o tratado com o Mercosul", disse na quinta-feira em uma entrevista à AFP o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy.

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