EUA se reafirmam como o 'maior aliado' da Europa

Munique, Alemanha, 18 Fev 2017 (AFP) - O vice-presidente americano, Mike Pence, afirmou neste sábado em Munique que seu país continua sendo "o maior aliado" da Europa, em um discurso destinado a acalmar os europeus, desorientados pelo novo inquilino da Casa Branca.

"O presidente (Trump) me pediu para estar aqui hoje (...) para transmitir a mensagem de que os Estados Unidos apoiam firmemente a Otan e que seremos inabaláveis em nosso compromisso com a Aliança Atlântica", declarou Pence na Conferência sobre Segurança de Munique em seu primeiro discurso internacional.

Foi outro convite à calma, depois que o secretário de Defesa, Jim Mattis, afirmou que a Otan foi "fundamental" para os Estados Unidos, e que o secretário de Estado, Rex Tillerson, matizou a vontade de aproximação de Washington com Moscou em um reunião do G20.

"Sempre seremos seu maior aliado", afirmou Pence, lembrando os valores comuns de "democracia, justiça e Estado de Direito" compartilhados pelos ocidentais.

O vice-presidente americano também abordou brevemente a relação entre Washington e Moscou, sobretudo para tranquilizar os europeus. "Saibam que os Estados Unidos seguirão cobrando a Rússia, mesmo se buscarmos um campo de entendimento. O presidente Trump pensa que é possível", disse.

- Nova ordem mundial -Pouco depois, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, anunciou em Munique o fim "da ordem mundial liberal" instaurada, segundo ele, por uma "elite de Estados" ocidentais com fins de dominação.

"Os dirigentes responsáveis devem tomar uma decisão. Espero que esta decisão seja a de uma ordem mundial democrática e justa. Se quiserem, a chamem de 'pós-ocidental'", acrescentou o homem de confiança de Vladimir Putin, que classificou a Otan de "vestígio da Guerra Fria".

Quanto a sua relação com a administração Trump, Lavrov propôs a Washington "relações pragmáticas de respeito mútuo".

"O potencial de cooperação nos âmbitos político, econômico e humanitário é enorme, mas ainda deve ser levado adiante. Estamos dispostos a isso na medida em que os Estados Unidos estiverem", acrescentou.

- "Repartir a carga" -O vice-presidente Pence também aproveitou seu discurso para reiterar as exigências americanas de um compromisso financeiro maior por parte de seus sócios da Otan.

"A defesa europeia exige nosso compromisso tanto quanto o seu", lembrou. Mas "a promessa de dividir a carga não é cumprida há tempos".

"O presidente Trump espera que seus aliados cumpram com sua palavra" em matéria de gastos militares, pediu.

Suas declarações foram respondidas pela maioria dos ministros europeus que falaram em seguida, como o chefe da diplomacia alemã, Sigmar Gabriel, que lembrou que os europeus contribuíram para a estabilidade no mundo através de ajuda ao desenvolvimento.

- Ucrânia -A chanceler alemã, Angela Merkel, fez, por sua vez, um apelo ao multilateralismo para enfrentar desafios como o terrorismo e a crise migratória.

Merkel também ressaltou que, na luta contra a ameaça terrorista, o Ocidente deve aumentar a cooperação com a Rússia, sem ceder no conflito ucraniano, no qual Moscou apoia os rebeldes separatistas.

"É preciso buscar pontos em comum na luta contra o terrorismo. E acredito que aqui (russos e ocidentais) temos exatamente os mesmos interesses", afirmou.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, repetiu que as sanções impostas à Rússia serão levantadas quando forem aplicados os acordos de paz de Minsk para a Ucrânia.

Lavrov respondeu lembrando a postura russa a respeito, isto é, que Kiev é o principal responsável pela não aplicação dos acordos.

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