Turquia aposta em Trump, apesar das divergências

Ancara, 19 Fev 2017 (AFP) - Os líderes turcos esperam estabelecer vínculos fortes com o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora sejam obrigados a ignorar as diferenças que os separam do magnata. O caminho para esta aproximação está, no entanto, repleto de obstáculos.

Enquanto a eleição de Trump foi recebida com cautela por várias capitais europeias, Ancara reagiu com entusiasmo.

As relações entre o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e a Casa Branca se deterioraram nos últimos meses da presidência de Barack Obama, devido as suas posições contrárias na Síria e ao caso de Fetullah Gülen, um pregador exilado nos Estados Unidos, cuja extradição é exigida por Ancara.

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, aproveitou uma reunião com o vice-presidente americano, Mike Pence, no sábado em Munique (sul da Alemanha) para abordar estes dois temas, cruciais nas relações entre os dois países.

Segundo informações divulgadas neste domingo pela imprensa turca, Pence disse a Yildirim que a nova administração americana busca um "reinício" nas relações entre os dois países, ambos membros da Otan.

A administração Trump "tem a oportunidade de tomar iniciativas arriscadas" em matéria de política externa, disse, por sua vez, à AFP Ayse Sözen, responsável pelas relações internacionais na presidência turca.

Depois de ter avaliado suas relações com a Turquia nos âmbitos comerciais, militares e de cooperação na luta antiterrorista, o novo governo americano "tomará medidas para melhorar as relações", estimou a responsável.

Menos de 48 horas depois da primeira conversa telefônica entre Trump e Erdogan, o diretor da CIA, Mike Pompeo, fez sua primeira viagem oficial à Turquia, onde foi recebido na semana passada por dirigentes turcos.

- 'Curto prazo' -Abdulkadir Selvi, jornalista turco próximo ao poder, destaca que começar com boas bases com o novo presidente americano é uma prioridade para Ancara.

Os dirigentes turcos veem em Trump "o homem que pode conquistá-la (a aproximação). Como consequência, se abstêm de fazer qualquer crítica, mesmo que seu discurso, em vários pontos, vá totalmente contra o que defendem", explica Aaron Stein, do Centro Rafic Hariri para o Oriente Médio.

Erdogan, propenso a atacar o "Ocidente islamófobo", não emitiu, no entanto, nenhuma crítica em relação ao projeto de Trump de proibir o acesso ao território americano dos cidadãos de sete países de maioria muçulmana, sob o pretexto de proteger o país do terrorismo.

Os dirigentes turcos esperam convencer seus colegas americanos nas duas grandes questões que degradaram as relações entre Erdogan e Obama: a Síria e o pregador Fethullah Gülen, antigo aliado de Erdogan e agora seu inimigo jurado.

Mas, apesar deste empenho, os analistas duvidam que este entendimento resista, no longo prazo, às divergências que tradicionalmente opuseram os dois países.

"A lua de mel é de curto prazo, tática", afirma Fadi Hakura, especialista de Turquia no Chatham House, com base em Londres.

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