Trump abre discurso condenando ameaças a centros judaicos nos EUA

Washington, 1 Mar 2017 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu seu primeiro discurso ao Congresso, nesta terça-feira (28), condenando os recentes ataques e ameaças contra a comunidade judaica.

"Esta noite, em que marcamos o fim da nossa celebração do Mês da História do Negro Americano, somos lembrados do caminho da nossa nação na direção dos direitos civis e do trabalho que ainda resta por fazer", começou Trump.

"As recentes ameaças aos centros da comunidade judaica e o vandalismo de cemitérios judeus, além do tiroteio em Kansas City na última semana, nos lembram que, ao mesmo tempo em que podemos ser uma nação dividida na política, somos um país que permanece unido na condenação ao ódio e ao mal em todas as suas formas", declarou o presidente.

Nessa sessão conjunta do Senado e da Câmara de Representantes, Trump também prometeu iniciar "em breve" a construção do polêmico muro na fronteira com o México, com o objetivo de conter "as drogas e o crime".

"Em breve, começaremos a construção de um grande, grande muro ao longo da nossa fronteira sul. Começará antes do previsto. Quando estiver concluído, será uma arma muito efetiva contra as drogas e contra o crime", garantiu.

Uma semana depois de ampliar os poderes das agências do setor de migração e de deixar mais vulneráveis a deportações quase todos os 11 milhões de pessoas em situação ilegal no país, Trump prometeu mão dura nas fronteiras.

"Enquanto falamos, estamos removendo criminosos, vendedores de drogas e criminosos que ameaçam nossas comunidades e nossas crianças. Esses caras estão indo embora, enquanto falamos aqui esta noite, tal como eu havia prometido", disse o presidente.

Ele defendeu a adoção de um novo sistema migratório nos Estados Unidos, baseado em mérito e na capacitação dos candidatos e que contenha o acesso ao país de pessoas com baixa qualificação para o mercado de trabalho.

"Se passarmos do atual sistema de imigração de pessoas com baixa capacitação e adotarmos um sistema baseado no mérito, teremos muitos benefícios: pouparemos dólares, elevaremos os salários e ajudaremos as famílias em dificuldades - incluindo famílias de imigrantes - a ingressar na classe média", completou.

Para Trump, uma reforma "real e positiva" do sistema migratório americano é possível se todos chegarem a um acordo sobre três pontos básicos: melhorar salários para os americanos, fortalecer a Segurança Nacional e "restabelecer o respeito por nossas leis".

Poucas horas antes do discurso, em um encontro com apresentadores de televisão na Casa Branca, Trump havia surpreendido, porém, ao evocar a possibilidade de apoiar uma reforma de regularização de imigrantes sem antecedentes penais.

De terno escuro e gravata azul listrada - abandonando seu característico vermelho e o explosivo e improvisado estilo discursivo -, o presidente se manteve, de modo geral, alinhado com o texto divulgado antecipadamente para a imprensa pela Casa Branca.

Contrariando a tradição, os democratas reservaram uma recepção fria para o presidente em sua entrada na Casa. A maioria ficou de pé, sem aplaudi-lo, enquanto outra metade dos congressistas, os republicanos, aplaudiam com entusiasmo.

Em um protesto silencioso, cerca de 40 congressistas democratas estavam vestidas de branco, cor símbolo da luta pelos direitos das mulheres.

- 'Motor' econômicoQuase 40 dias depois de sua posse, Trump apresentou ao Congresso as prioridades da Casa Branca, tentando se afastar das polêmicas que pressionam seu governo, e fez um apelo pela unidade em um país cada vez mais polarizado.

"Um novo capítulo da grandeza dos Estados Unidos está começando. Um novo orgulho nacional está varrendo o país", afirmou.

"Já começamos a drenar o pântano da corrupção", completou.

Trump prometeu "reiniciar o motor da economia americana" e tornar mais difícil para as empresas deixarem o país.

"Minha equipe econômico está desenvolvendo uma reforma fiscal histórica que reduzirá a taxa de impostos das nossas empresas para que possam competir e vencer onde quer que seja", afirmou.

O presidente insistiu em uma de suas mais polêmicas promessas de campanha, convocando os legisladores "a rejeitar e substituir" o "desastre" do Obamacare, o sistema de Saúde herdado de seu antecessor Barack Obama.

O assunto é delicado: o desmantelamento do Obamacare pode deixar cerca de 20 milhões de pessoas sem cobertura médica - cenário que atormenta os congressistas republicanos.

Fora dos Estados Unidos, Trump prometeu "demolir e destruir" o grupo Estado Islâmico (EI), com a ajuda dos "nossos aliados no mundo muçulmano".

Na segunda-feira (27), a Casa Branca anunciou que Trump propõe um aumento de quase 10% no orçamento militar dos Estados Unidos. Com quase US$ 615 bilhões, já é o maior do mundo.

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