Exército sírio reconquista cidade histórica de Palmira

Beirute, 2 Mar 2017 (AFP) - A Rússia anunciou que o exército sírio, com apoio da aviação russa, reconquistou a cidade de Palmira, famosa por suas ruínas monumentais, das mãos do grupo Estado Islâmico (EI), que sofrem assim um novo revés militar.

Os extremistas assumiram o controle de Palmira - inscrita no Patrimônio Mundial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) - em maio de 2015 e destruíram os templos mais importantes, além realizar execuções em massa no antigo anfiteatro.

Foram expulsos da cidade em março de 2016, mas reconquistaram esse território em dezembro.

O ministro russo da Defesa, Serguei Shoigu, informou ao presidente Vladimir Putin que as forças sírias expulsaram os radicais do EI de Palmira, indicou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado por agências russas.

"O EI se retirou completamente de Palmira", indicou, por sua parte, à AFP o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

"Mas o exército sírio continua limpando a periferia da cidade e ainda não se instalou completamente", afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

As forças governamentais sírias, apoiadas com tropas em terra e bombardeios aéreos russos, tentavam há várias semanas chegar a Palmira através do deserto da província de Homs, o que finalmente aconteceu na quarta-feira.

A área que abriga o sítio arqueológico mais famoso da Síria "está cheio de minas terrestres", informou o OSDH.

O diretor-geral de Antiguidades e Museus da Síria, Maamun Abdelkarim, recebeu a notícia da reconquista da "pérola" do país "com uma mistura de alegria e medo", temendo a destruição provocada pelos combates e pelos extremistas.

Desde 2015, os extremistas islâmicos destruíram os mais belos templos desta cidade de mais de 2.000 anos de idade.

A derrota em Palmira se soma a uma série sofrida pelo EI nos territórios que havia conquistado a partir de 2014 no Iraque e na Síria.

Atualmente, o grupo ultrarradical está em dificuldades em Mossul e Raqa, seus redutos em ambos os países.

- Ameaças turcas -No norte da Síria, a situação continua complicada uma semana após a captura da cidade de Al-Bab, reduto do EI, por tropas turcas e seus aliados rebeldes sírios.

Determinada, a Turquia ameaçou, nesta quinta-feira, lançar ataques contra as milícias curdas sírias na cidade de Minbej, perto da fronteira com a Turquia.

Esta cidade havia sido tomada do EI em agosto de 2016 pelas Forças Democráticas da Síria (SDS) apoiadas pelos Estados Unidos. Elas incluem as Unidades de Proteção do Povo (YPG, curdas).

"Já avisamos que vamos atacas as YPG se não deixarem" Minbej, declarou o chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu. Essa retirada deve ser feita "o mais rápido possível", disse ele.

Enquanto isso, o Conselho Militar de Minbej, que faz parte das FDS, disse que as tropas do governo seriam implantadas em uma zona tampão entre elas e os rebeldes pró-turcos.

"Chegamos a um acordo com a Rússia para ceder a guardas de fronteiras do Estado sírio as aldeias na linha da frente (da operação realizada pela Turquia) Escudo Eufrates", indicou o Conselho.

Seria a primeira vez que os combatentes apoiados por Washington concordam em retroceder em favor das forças do presidente Bashar al-Assad.

Um dos objetivos dos diferentes atores é tomar o controle de Raqa, o último grande bastião ainda controlado pela EI no norte da Síria.

- Críticas russas - Longe do front, Moscou acusou nesta quinta-feira o principal grupo da oposição síria de tentar "sabotar" as negociações de paz iniciadas em Genebra em 23 de fevereiro, mas estagnadas desde então.

"O Alto Comitê de Negociações (HCN) se recusa a cooperar em igual nível com o grupo de Moscou e Cairo e está sabotando o diálogo tanto com a delegação do regime quanto com outros grupos de oposição," disse a porta-voz do ministério russo das Relações Exteriores, Maria Zakharova.

Os referidos grupos do Cairo e de Moscou se opõem ao regime sírio, mas são considerados próximos à Rússia.

A oposição quer abordar questões relacionadas com a transição política, enquanto o regime quer falar da luta contra o terrorismo.

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