Grupo suíço LafargeHolcim admite práticas "inaceitáveis" na Síria

Paris, 2 Mar 2017 (AFP) - O grupo suíço de material de construção LafargeHolcim admitiu nesta quinta-feira que recorreu a práticas "inaceitáveis" com grupos armados para manter as atividades de uma fábrica de cimento em 2013 e 2014 na Síria, um país devastado pela guerra.

A empresa reconheceu que a filial local, que pertencia na época à francesa Lafarge, "repassou fundos a terceiros com o objetivo de alcançar acordos com um determinado número de grupos armados, incluindo alguns submetidos a sanções".

Uma investigação interna "não conseguiu estabelecer com certeza quais eram os destinatários finais dos fundos", indicou o grupo.

De acordo com o jornal francês Le Monde, que revelou o caso em junho, a situação beneficiou o grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Na França, o grupo é objeto de uma investigação preliminar iniciada em outubro, após várias ações apresentadas por ONGs e pelo ministério da Economia, que acusam a LafargeHolcim de financiar o terrorismo de violação das sanções impostas pela União Europeia ao regime de Bashar al-Assad.

A fábrica fica em Jalabiya, a 150 km de Aleppo. A unidade foi adquirida em 2007 pela empresa francesa Lafarge, que mais tarde concluiu uma fusão com a suíça Holcim. Começou a funcionar em 2011.

Com a guerra civil, "a deterioração da situação política na Síria apresentou desafios muito difíceis em termos de segurança, das atividades da fábrica e dos funcionários", afirmou a LafargeHolcim.

"Isto inclui ameaças para a segurança dos colaboradores, assim como distúrbios nos suprimentos necessários para o funcionamento da fábrica e distribuição dos produtos", completa o grupo.

"De forma retrospectiva, as medidas adotadas para continuar com as atividades da fábrica eram inaceitáveis", admitiu.

"Os diretores das operações na Síria parecem ter atuado da forma que acreditavam que era a melhor para os interesses da empresa e de seus funcionários. No entanto, a investigação revela erros de critério significativos que são contrários ao código de conduta então em vigor", concluiu a LafargeHolcim.

jum/fp

LAFARGEHOLCIM

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