Longe de Pequim, os migrantes lutam contra a saudade

Pequim, 2 Mar 2017 (AFP) - Longe dos arranha-céus e das lojas de luxo da capital chinesa, milhares de trabalhadores de províncias pobres se amontoam no bairro de favelas de Heiqiaocun, onde tentam recriar o ambiente de suas terras de origem.

Relegado para além do quinto cinturão periférico, a 15 km do coração da capital, Heiqiaocun, que literalmente significa "o povo da ponte negra", cheira ao carvão que os migrantes queimam em pequenas estufas para se aquecer ou cozinhar.

O bairro se organizou em torno de suas lojas - muitas das quais vendem a pimenta tão apreciada pelos muitos sinchuaneses que chegaram para trabalhar em Pequim a partir da província do sudoeste. As ruas desaparecem entre o vapor das tendas que assam bolinhos ou os pães típicos do norte da China.

Outros estabelecimentos com lanternas vermelhas oferecem massagens ou inclusive mais às milhares de pessoas solitárias que trabalham nas inúmeras obras de uma capital em incessante transformação.

Heiqiaocun cresceu no interior de uma via de trem circular que serve de linha de teste para os trens. As pessoas chegaram até este local empurradas pela alta dos preços dos alugueis em Pequim.

Nas casas, famílias inteiras ou grupos de trabalhadores se amontoam em quartos sem água corrente. As mulheres cozinham nos corredores, que cheiram a alho e gengibre.

A senhora Yang e seu marido vivem em apenas um ambiente, muito diferente da casa que deixaram em Juangsu (leste). Escolheram Heiqiaocun para economizar um pouco de dinheiro. A senhora Yang é limpadora no centro da cidade e seu marido trabalha na construção, onde ganha 10.000 iuanes mensais (1.375 euros), uma soma correta em uma cidade onde o salário médio é de 7.000 iuanes brutos.

Para os menos afortunados, cartazes nas paredes de Heiqiaocun oferecem uma solução: vender seu sangue. Pagam entre 400 e 500 iuanes por 400 centilitros, uma soma suficiente para permitir o aluguel de um quarto.

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