Secretário de Justiça americano acusado de contatos com o embaixador russo

Washington, 2 Mar 2017 (AFP) - O procurador-geral americano, Jeff Sessions, é alvo de muitas críticas nesta quinta-feira, depois que o jornal Washington Post revelou que ele se reuniu duas vezes no ano passado com o embaixador russo nos Estados Unidos.

As revelações representam um novo golpe para o governo do presidente Donald Trump, que desmentiu em várias oportunidades os eventuais vínculos com a Rússia, acusada de interferir na campanha eleitoral americana de 2016.

O Washington Post informou na quarta-feira à noite que Jeff Sessions - ex-senador que assessorou Trump sobre política externa e outros temas durante a campanha - se reuniu com o embaixador Sergey Kislay em julho e em setembro, ao contrário do que ele afirmou ao Senado durante a audiência para a confirmação de seu nome como procurador-geral.

Em um comunicado, Jeff Sessions afirmou que nunca se reuniu "com autoridades russas para discutir temas da campanha".

"Não tenho ideia sobre o que é esta acusação. É falsa", completou.

A Casa Branca confirmou os encontros de Sessions, mas afirma que ele não fez nada de errado. Ao mesmo tempo, classifica as revelações do Washington Post de um novo "ataque" dos democratas contra a administração Trump.

"Sessions se reuniu com o embaixador em sua função oficial de membro da Comissão das Forças Armadas no Senado, o que é completamente coerente com seu testemunho", afirmou uma fonte da Casa Branca.

Em janeiro, Sessions declarou, sob juramento no Senado: "Eu não tive uma comunicação com os russos".

Representantes democratas exigiram na quarta-feira que o Congresso anuncie uma investigação especial independente para esclarecer a eventual interferência da Rússia na campanha eleitoral de 2016.

"Dadas as declarações falsas de Sessions sobre os contatos com as autoridades russas, precisamos de um comitê especial para investigar os laços entre a Rússia e os membros da equipe de Trump", afirmou o senador democrata Ron Wyden, membro da Comissão de Inteligência da Câmara de Representantes.

A imprensa americana, incluindo o jornal New York Times, afirma que pessoas da campanha de Trump estabeleceram contatos com membros do serviço secreto russo antes da eleição de 8 de novembro.

A administração Trump nega as acusações de interferência da Rússia, também desmentidas por Moscou.

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