Candidato francês Fillon segue perdendo apoio, mas pede 'resistência'

Paris, 3 Mar 2017 (AFP) - Abandonado por uma parte crescente de seus aliados em meio a um escândalo de cargos fantasmas, o candidato conservador à Presidência da França François Fillon, pediu nesta sexta-feira (3) a seus partidários que "resistam", apesar das pressões por sua retirada em favor de Alain Juppé.

"Não se deixem intimidar. Não deixem que ninguém os prive de sua escolha. Peço que resistam e, ainda mais, convido-os a avançar", lançou François Fillon em um vídeo divulgado no Twitter, no qual pediu que seus correligionários sejam "numerosos" no comício de domingo (5), em Paris.

Seu sucesso, ou fracasso, permitirá medir sua capacidade de mobilização. Muitos consideram esse evento como a prova definitiva para o líder conservador. No mesmo dia, haverá uma contramanifestação na capital para pedir "o respeito ao povo, à Justiça e à imprensa".

O partido de centro direita UDI, que havia "suspendido" na quarta-feira (1º) sua participação na campanha de Fillon, pediu "solenemente" uma mudança de candidato para evitar "um fracasso certo".

Quem aparece como substituto é o ex-primeiro-ministro Alain Juppé, de 71 anos. Juppé, que perdeu no segundo turno das primárias da direita e de centro, "não fugirá" desde que se respeitem as seguintes condições: que François Fillon se retire por iniciativa própria e que seu partido político, Les Républicains, "o apoie de forma unânime", afirmou uma pessoa de seu círculo pessoal.

"Alain Juppé não é um golpista. Jamais expulsará Fillon e não está tramando um complô", alegou a mesma fonte.

Desde que anunciou na quarta-feira seu provável indiciamento pelo caso do emprego fantasma de sua mulher, Penelope, Fillon viu dezenas de aliados retirarem seu apoio. Além disso, várias vozes de seu partido pediram que se retirasse da corrida eleitoral.

O último a se somar à onda de deserções foi seu porta-voz, Thierry Solère, que anunciou sua demissão nesta sexta-feira (3) pelo Twitter.

"Não pode ser candidato porque já não pode fazer uma campanha de fundo para defender ideias e um ideal republicano e democrático", declarou nesta sexta outro ex-primeiro-ministro, o conservador Dominique de Villepin.

- LealdadeJuppé havia descartado até o momento a possibilidade de substituir Fillon como candidato, alegando uma questão de "lealdade" para com o vencedor das primárias.

Segundo o jornal francês "Le Parisien", o ex-presidente Nicolas Sarkozy, que até agora se opunha à candidatura de Juppé, demonstrou sua aprovação quanto à substituição.

A pressão judicial cresceu em torno de Fillon depois que a Polícia revistou sua residência, na quinta-feira (2), no âmbito da investigação sobre os salários recebidos por sua esposa e por seus dois filhos como assistentes parlamentares.

Intimado para comparecer à Justiça no próximo dia 15 de março, Fillon voltou a manifestar na quinta-feira, em um comício, sua intenção de continuar na campanha.

Enquanto isso, os outros candidatos à Presidência denunciam esse caso, que atrapalha a campanha. O socialista Benoît Hamon falava, por exemplo, de uma "saturação do debate democrático".

"É muito respeitável o fato de que seja um combatente determinado, mas apenas combate para si mesmo. Não (...) a favor dos valores da França", insistiu Villepin.

Nesta sexta-feira à noite, o jornal "Libération" listava mais de 100 aliados perdidos desde quarta.

O candidato conservador, ex-favorito nas pesquisas, chega agora em terceiro lugar nas intenções de voto, atrás da radical de direita Marine Le Pen e do centrista Emmanuel Macron.

De acordo com uma pesquisa publicada hoje, se fosse o candidato do Les Républicains, Juppé lideraria as intenções de voto no primeiro turno.

O tempo se esgota para encontrar uma solução alternativa para Fillon. Os candidatos têm até 17 de março para conseguir o apoio de 500 representantes locais necessários para participar das eleições.

Enquanto isso, Marine Le Pen, mergulhada em outro escândalo também sobre cargos fantasmas no Parlamento Europeu, foi convocada pela Justiça na tarde desta sexta-feira (3) e pode terminar como acusada.

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