Colômbia: começa a operação de saída de menores de zonas das Farc

Bogotá, 3 Mar 2017 (AFP) - As operações para a saída de menores de idade das zonas de concentração da guerrilha das Farc tiveram início na Colômbia, dentro do acordo para superar meio século de conflito armado, informou nesta sexta-feira o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

"Já está em andamento a primeira operação humanitária do ano de 2017, na qual os menores de idade deixarão as Zonas Veredais Transitórias de Normalização", afirmou a CICV.

Nestas zonas se agrupam os rebeldes para deixar as armas e se reincorporar à vida civil.

A Cruz Vermelha afirmou que haverá diversas operações do mesmo tipo em várias partes do país, com a participação de organizações sociais designadas para "preparar os menores de ide para sua transferência e o posterior processo de reintegração".

A presença de menores nas fileiras das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal e mais antiga guerrilha do país, foi um dos temas mais delicados do processo de negociação de paz do governo de Juan Manuel Santos.

No final de janeiro, o presidente exigiu dos rebeldes que entregassem os menores de 15 anos, como haviam acertado em março do ano anterior. Além disso, em maio de 2016 foi combinada a saída das crianças em breve, mas o processo demorou por problemas operacionais dos rebeldes.

Até a presente data, saíram apenas 13 menores dos acampamentos, segundo o governo.

Representantes de Bogotá da guerrilha ativaram, em 26 de janeiro, os protocolos para a saída de todos os menores de 18 anos existentes nas tropas insurgentes.

As partes concordaram que o processo iniciaria assim que a guerrilha estivesse concentrada nas 26 zonas do país onde, no mais tardar, no fim de maio, deverão depor todas as armas. A fase de reagrupamento foi concluída em 18 de fevereiro.

O governo não informou quantos menores há nas fileiras das Farc, apesar de, em maio de 2016, o ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, ter falado de cerca de 170.

Segundo o comandante guerrilheiro Pastor Alape, encarregado pelas Farc para este tema, nas fileiras rebeldes há cerca de 23 menores de 15 anos.

Na quarta-feira, as Farc também deram início ao processo de entrega de armas, ponto essencial do acordo de paz.

Alçadas contra o Estado em 1964, as Farc selaram um acordo de paz com o governo de Bogotá depois de quatro anos de negociações que estabelecem que os rebeldes deveriam depor as armas em um período de 180 dias a partir de 1º de dezembro, o chamado "dia D", em um processo supervisionado pelas Nações Unidas.

Segundo o cronograma acertado, a entrega das armas será feita em três fases: em D+90 são entregues 30% das armas; em D+120, outros 30%; e em D+150, os demais 40% restantes, para terminar no mais tardar no dia D+180.

Mas, antes da primeira etapa, deveriam ser cumpridos passos prévios: registro das armas, destruição do armamento instável (explosivos, minas) e armazenamento das armas pesadas.

Houve um atraso devido a problemas logísticos da guerrilha e deveria ter terminado em 31 de dezembro, mas foi completado em 18 de fevereiro.

Dessa forma, as partes concordaram em iniciar o processo nesta quarta, sem modificar o limite dos 180 dias.

A ONU, que destinou 450 observadores internacionais para esta missão, elogiou em um comunicado "o consenso das partes de iniciar sem mais demora".

O "armazenamento gradual" em contêineres começou com a recepção das armas dos 322 membros das Farc que integram o Mecanismo de Monitoramento e Verificação, uma entidade tripartite (guerrilha, governo e ONU) que deve controlar o cessar-fogo.

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