Ex-premiê cotado para substituir candidato conservador nas presidenciais na França

Paris, 3 Mar 2017 (AFP) - O ex-primeiro-ministro Alain Juppé é o nome mais cotado para eventual substituto do candidato conservador às eleições presidenciais francesas François Fillon, caso ele desista da disputa depois de, nas últimas horas, perder o apoio de colaboradores e deputados.

Juppé, que perdeu no segundo turno das primárias da direita e centro, não negará o encargo desde que respeitadas as seguintes condições: que François Fillon se retire por iniciativa própria e que a direita e o centro, Os Republicanos, o apoiem de forma unânime, afirmou uma pessoa de seu círculo pessoal.

"Alain Juppé não é um golpista, jamais expulsará Fillon e não está tramando um complô", indicou a fonte.

Desde que anunciou na quarta-feira seu provável indiciamento pelo caso do emprego fictício de sua esposa, Penelope, Fillon viu como dezenas de aliados retiraram seu apoio e várias vozes de seu partido pediram que se retirasse da corrida eleitoral.

O último a se somar à onda de deserções foi seu porta-voz, Thierry Solère, que nesta sexta-feira anunciou sua demissão o Twitter.

"Não pode ser candidato porque já não pode fazer uma campanha de fundo para defender ideias e um ideal republicano e democrático", declarou nesta sexta outro ex-primeiro-ministro, o conservador Dominique de Villepin.

- Lealdade -Juppé havia descartado até o momento substituir Fillon como candidato, alegando uma questão de lealdade para com o vencedor das primárias.

Segundo o jornal francês Le Parisien, o ex-presidente Nicolas Sarkozy, que até agora se opunha à candidatura de Juppé, demostrou sua aprovação quanto à substituição.

A pressão judicial cresceu em torno de Fillon depois que a polícia revistou sua residência em função da investigação sobre os salários recebidos por sua esposa e seus dois filhos como assistentes parlamentares.

Fillon, intimado pela justiça no próximo dia 15 de março, voltou a demonstrar na quinta, em um comício, sua intenção de continuar na campanha.

"É muito respeitável o fato de que seja um combatente determinado, mas apenas combate para si mesmo. Não e um combatentes a favor dos valores da França", destacou Villepin.

O jornal Libération afirma nesta sexta que cerca de 70 aliados de Fillon retiraram seu apoio.

O candidato conservador, ex-favorito nas pesquisas, chega agora em terceiro lugar nas intenções de voto, atrás da radical de direita Marine Le Pen e do centrista Emmanuel Macron.

Segundo uma pesquisa publicada nesta sexta, Juppé encabeçaria as intenções de voto no primeiro turno se fosse o candidato de Os Republicanos.

Mas o tempo urge para encontrar uma solução alternativa para Fillon, já que os candidatos têm até 17 de março para conseguir os 500 apoios de representantes locais necessários para participar nas eleições.

De fato, a pedido do deputado Georges Fenech, alguns representantes locais começaram a apadrinha Juppé.

A equipe de Fillon organiza, por sua parte, uma manifestação em apoio a seu candidato no domingo à tarde em Paris.

Seu êxito ou fracasso dará uma medida de sua capacidade para mobilizar o eleitorado, e muitos consideram este encontro um teste para o líder conservador.

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