Malásia emite ordem de prisão contra norte-coreano por assassinato de Kim Jong-nam

Kuala Lumpur, 3 Mar 2017 (AFP) - A Malásia emitiu nesta sexta-feira uma ordem de prisão contra um funcionário de uma companhia aérea norte-coreana no âmbito da investigação sobre o assassinato do meio-irmão do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un.

A polícia também pediu ao segundo secretário da embaixada norte-coreana em Kuala Lumpur que colabore com a investigação sobre o ataque contra Kim Jong-nam, no dia 13 de fevereiro no aeroporto da capital malaia.

Na véspera, o único norte-coreano detido com base na investigação do assassinato de Jong-nam, foi libertado.

O suspeito norte-coreano, que trabalha na área de tecnologia da informática, foi detido logo após o assassinato.

Mas os indícios contra Ri Jong-chol, de 47 anos, não justificavam uma denúncia, explicou o procurador-geral da Malásia, Mohamed Apandi Ali.

Na quarta-feira, uma indonésia e uma vietnamita suspeitas de ter inoculado em Kim Jong-nam o agente neurotóxico foram denunciadas por assassinato pela promotoria malaia.

Siti Aisyah, indonésia de 25 anos, e Doan Thi Huong, vietnamita de 28 anos, foram acusadas por assassinato.

No âmbito da investigação, a polícia quer interrogar outros sete norte-coreanos, entre eles um diplomata da embaixada da Coreia do Norte em Kuala Lumpur, além do funcionário da companhia aérea. Quatro suspeitos deixaram o país no mesmo dia do assassinato.

Kim Jong-nam, caído em desgraça há vários anos, morreu envenenado por um gás neurotóxico que, segundo as autoridades malaias, poderia ser o agente VX, uma versão mais letal do gás sarin.

Imagens das câmeras de segurança mostraram duas mulheres se aproximando pelas costas de Kim Jong-nam, e uma delas lançando, aparentemente, algo em seu rosto.

O meio-irmão de Kim Jong-un foi levado à clínica do aeroporto, mas faleceu durante sua transferência ao hospital.

As duas mulheres afirmam que as enganaram e que acreditavam que participavam de uma brincadeira gravada em vídeo, uma pegadinha. A polícia malaia alega que elas sabiam o que faziam.

Segundo as autoridades, Kim Jong-nam morreu rapidamente, em menos de 20 minutos, e seu falecimento foi provavelmente "muito doloroso".

Desde o assassinato, a Coreia do Sul acusa o vizinho do Norte de eliminar Kim Jong-nam, crítico do regime norte-coreano.

A Coreia do Norte, que não reconheceu a identidade da vítima, protesta vigorosamente pela investigação das autoridades malaias, acusadas por Pyongyang de atuação em aliança com seus inimigos.

As autoridades norte-coreanas também não aceitam as conclusões da necropsia e afirmam que a vítima faleceu por uma crise cardíaca.

Kuala Lumpur, por sua vez, anunciou o cancelamento, a partir de 6 de março, de um acordo bilateral para uma isenção recíproca de vistos para os visitantes.

O governo tomou esta decisão por razões de segurança nacional, informou a agência Bernama, que cita o vice-primeiro-ministro malaio, Ahmad Zahid Hamidi.

Kuala Lumpur já chamou para consultas seu embaixador na Coreia do Norte e convocou o embaixador norte-coreano na Malásia.

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