Novamente cercado por vínculos com Rússia, Trump contra-ataca

Washington, 3 Mar 2017 (AFP) - Novas revelações sobre contatos do entorno de Donald Trump com responsáveis russos fizeram com que o presidente americano contra-atacasse, o que ameaça estragar o bom recebimento de seu discurso diante do Congresso.

Antes de deixar Washington com destino a sua casa em Mar-a-Lago, na Flórida, pela quarta vez em cinco semanas, Trump acusou seus adversários políticos de empreenderem uma "caça às bruxas" sobre suas supostas relações com Moscou durante a campanha eleitoral, que o milionário nega.

O novo escândalo gira em torno de Jeff Sessions, um fiel aliado do presidente, que, como secretário de Justiça, tem o FBI (a Polícia Federal americana) sob seu comando, e que na quinta-feira se recusou a participar de qualquer investigação sobre o papel da Rússia nas eleições.

Depois que Sessions disse sob juramento no Senado "não ter comunicações com os russos", jornalistas relataram que, de fato, havia se reunido com o embaixador de Moscou em Washington, Sergey Kislyak, em duas oportunidades nos meses anteriores às eleições.

Sessions afirmou que isso fazia parte de sua função como senador e que apenas falou com o embaixador russo sobre "coisas normais". Mas a oposição Democrata não perdeu a oportunidade e pediu que o ex-senador renuncie e seja investigado por perjúrio.

"Jeff Sessions é um homem honesto", manifestou Trump.

Putin e donutsO presidente também atacou o líder dos democratas e senador por Nova York, Chuck Shumer, uma das vozes mais fortes que pede a renúncia de Sessions.

Em sua rede social preferida, o Twitter, o presidente colocou uma foto do senador tomando café e comendo donuts com o presidente russo, Vladimir Putin, em 2003, com a legenda: "Deveríamos começar uma investigação imediata do @SenSchumer e suas relações com a Rússia e Putin. Um total hipócrita"!

Em resposta, Schumer assinalou que "falaria com gosto" sobre seu encontro com Putin, acrescentando: "Você e sua equipe fariam isso"?

Trump negou qualquer vínculo com o Kremlin, desde que as Agências de Inteligência americanas acusaram publicamente Moscou de tentar interferir nas eleições de novembro para impulsionar o magnata à Casa Branca.

Mas pouco a pouco foram surgindo novos relatos de encontros de pessoas de seu entorno com o embaixador russo.

Durante a convenção do Partido Republicano em julho de 2016, em Cleveland, dois ex-conselheiros do então candidato, J.D. Gordon e Carter Page, se reuniram com Kislyak, segundo o jornal USA Today.

Por conta do ocultamento de conversas telefônicas com o embaixador russo, o ex-assessor de Segurança Nacional de Trump, Michael Flynn, acabou renunciando em 13 de fevereiro.

O filho mais velho do presidente, Donald Trump Jr., recebeu ao menos 50.000 dólares por pronunciar um discurso em uma conferência em Paris, organizada por um centro de análise próximo a Moscou, o Center of Political and Foreign Affairs.

Em outubro, Kislyak esteve na Trump Tower, em Nova York, para um rápida visita, onde se reuniu com o influente genro do presidente eleito, Jared Kushner, assim como com Flynn.

E Paul Manafort, ex-chefe de campanha de Trump, tem contatos com círculos pró-Rússia por seu trabalho como lobista internacional.

Nada nesses contatos permite concluir uma relação com Moscou, defende-se a Casa Branca. "As pessoas estão escolhendo fazer jogos políticos, deveriam estar envergonhadas", disse Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca, à emissora FoxNews.

"Toda esta história é uma forma dos democratas de salvarem sua pele por perder uma eleição que todos pensavam que eles deveriam ganhar", disse Trump.

Mas os inúmeros contatos perturbam também os republicanos que controlam o Congresso, onde a Rússia tem poucos amigos: vários parlamentares denunciaram a anexação da Crimeia por Moscou e o apoio russo ao governo sírio.

Quatro comissões legislativas abriram investigações sobre o assunto, e os pedidos dos democratas, e de alguns republicanos, de designarem um investigador independente se multiplicaram na quinta-feira (2).

Sem sinais de que vá desparecer, o caso russo arruína uma das melhores semanas de Trump desde que chegou à Casa Branca, em 20 de janeiro.

Seu discurso de terça-feira (28) diante do Congresso foi relativamente comemorado por sua moderação e tom otimista, apesar da falta de detalhes sobre sua ambiciosa agenda não apaziguar o Partido Republicano.

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