Rodada de negociações sobre Síria termina com 'agenda clara'

Genebra, 3 Mar 2017 (AFP) - O governo sírio e a oposição encerraram, nesta sexta-feira (3), nove dias de negociações com certo otimismo e com uma "agenda clara" para a próxima rodada neste mês, segundo o mediador e enviado especial da ONU, Staffan de Mistura.

Os beligerantes não fecharam as portas para as negociações que poderão acabar com seis anos de guerra, e De Mistura explicou à imprensa que deseja organizar rapidamente uma quinta rodada ainda este mês.

A agenda cobre quatro pontos, ou áreas de discussão, incluindo a luta contra o terrorismo, como deseja Damasco, aparentemente após vencer as resistências da oposição.

As negociações foram "mais positivas" do que as da rodada anterior, anunciou o chefe negociador do opositor Alto Comitê Negociador (HCN, em inglês), Nasr al-Hariri.

"O trem está pronto, está na estação, está esquentando os motores. Tudo está preparado, só falta um acelerador", disse De Mistura, que há quase três anos se dedica à resolução do conflito sírio.

À espera desse momento, o veterano diplomata deve se reunir com o Conselho de Segurança da ONU na semana que vem. Depois disso, antecipou, "teremos Astana (...) para consolidar o cessar-fogo e, então, de novo Genebra em março".

"Acredito que, agora, tenhamos uma agenda clara diante de nós", acrescentou.

No início das negociações em Genebra, ambas as partes se limitaram a estar frente a frente, em um ambiente glacial. Depois, durante a semana, aumentaram as acusações recíprocas. O governo acusou a oposição de abrigar "terroristas", enquanto esta se queixou da falta de um "parceiro para a paz".

Ainda assim, ninguém abandonou a mesa de diálogo.

"Continuamos lá, o que já é um sucesso", disse um membro da oposição, Monzer Makhous, após cinco dias de negociações.

Terrorismo e políticaAté agora as rodadas de conversas de Genebra fracassaram por divergências. O governo insiste em falar de terrorismo, e a oposição, de transição política, em meio aos confrontos que prosseguiam na Síria.

No início desta quarta sessão, De Mistura advertiu que os diálogos deveriam se centrar nos três temas previstos na resolução 2254 da ONU, o roteiro para a solução do conflito sírio: a governança - tema ambíguo para definir uma transição política -, a Constituição e as eleições.

O chefe da delegação do governo, Bashar al-Jaafari, insistiu, desde o início, que falariam sobre o terrorismo como uma prioridade.

"Se falarmos de terrorismo, também temos de falar dos barris explosivos, dos gases tóxicos e da execução de 13.000 pessoas em uma prisão", replicou Al-Hariri, em alusão às atrocidades reprovadas pelo governo.

Graças às pressões da Rússia - um ator cada vez mais importante no conflito -, as posições foram suavizadas. O vice-ministro russo das Relações Exteriores, Guenadi Gatilov, encontrou-se em Genebra com a delegação do governo e também com a do HCN, um feito inédito.

A ingerência de Moscou parece surtir efeito, pois, pela primeira vez, o governo anunciou em Genebra estar disposto a falar dos três temas políticos fixados por De Mistura, além do terrorismo.

A pressão de Moscou também é exercida sobre a oposição.

Na quinta-feira (2), o porta-voz da diplomacia russa acusou o HCN de "sabotar" o processo de Genebra, estimulando-o, implicitamente, a integrar representantes dos grupos do Cairo e de Moscou.

A guerra na Síria, que em 15 de março entra em seu sétimo ano, já deixou 310.000 mortos e milhões de refugiados.

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