Trump acusa Obama de grampear seu telefone durante campanha

Washington, 4 Mar 2017 (AFP) - O presidente Donald Trump acusou neste sábado (4) seu antecessor Barack Obama de usar escutas telefônicas durante a campanha eleitoral do ano passado, sem fornecer, no entanto, provas dessa acusação.

"Terrível! Acabo de saber que Obama fez escutas telefônicas na Trump Tower um pouco antes da vitória", tuitou.

"Isso é macartismo", acrescentou.

"Eu apostaria que um bom advogado poderia levar adiante um caso pelo fato de que o presidente Obama grampeou meus telefones em outubro, antes da eleição!", insistiu Trump no Twitter.

"Como o presidente Obama caiu tão baixo a ponto de grampear meus telefones durante o sagrado processo eleitoral. Isso é Nixon/Watergate. Cara ruim (ou doente)!", assinala em outro tuíte.

O porta-voz de Obama, Kevin Lewis, rebateu a acusação imediatamente.

"Nem o presidente Obama nem nenhum funcionário da Casa Branca ordenaram espionar qualquer cidadão americano", afirmou Lewis, em nota à imprensa.

Mais cedo, o ex-vice conselheiro de Segurança Nacional de Obama, Ben Rhodes, já havia tuitado que "um presidente não pode ordenar grampos telefônicos, essas restrições foram estabelecidas para proteger os cidadãos de gente como você".

Em princípio, apenas a Justiça poderia autorizar esse tipo de ação.

David Axelrod, outro ex-assessor de alto perfil de Obama, disse que um tribunal teria autorizado escutas dessa natureza apenas se houvesse justificativa para tal.

"Se tivesse havido a intervenção de que @realDonaldTrump denuncia ruidosamente, essa ordem tão extraordinária poderia ter sido autorizada apenas por um tribunal com causa justificada", alegou.

Em sua maioria, os republicanos preferiram se manter em silêncio sobre a última denúncia de Trump, mas o senador Lindsey Graham comentou que "se estiver certo, seria o maior escândalo político desde Watergate".

- Sessions na berlindaOs tuítes de Trump foram postados por volta das 5 horas da manhã deste sábado, diante da avalanche de revelações sobre os contatos entre funcionários russos e seus colaboradores mais próximos, entre eles o recém-empossado secretário da Justiça, Jeff Sessions, o caso mais recente.

O presidente negou reiteradas vezes que tenha vínculos pessoais com o Kremlin, e seus assessores negam, ou minimizam, esses contatos.

As acusações continuam, porém, em vazamentos quase diários na imprensa, que revela novos detalhes dos laços entre Moscou e nomes do alto escalão do governo Trump.

As últimas revelações sobre contatos do entorno de Trump com autoridades russas fizeram o presidente americano contra-atacar.

Antes de deixar Washington com destino a sua casa em Mar-a-Lago, na Flórida, pela quarta vez em cinco semanas, Trump acusou seus adversários políticos de empreenderem uma "caça às bruxas" sobre suas supostas relações com Moscou durante a campanha eleitoral.

Como procurador-geral, Sessions - um fiel aliado do presidente - tem o FBI (a Polícia Federal americana) sob seu comando. Na quinta-feira (2), ele se recusou a participar de qualquer investigação sobre o papel da Rússia nas eleições.

Depois que Sessions disse sob juramento no Senado "não ter comunicações com os russos", jornalistas relataram que, na verdade, ele havia se reunido duas vezes com o embaixador de Moscou em Washington, Sergey Kislyak, nos meses que antecederam as eleições.

Sessions afirmou que isso fazia parte de sua função como senador e que apenas conversou com o embaixador russo sobre "coisas normais". A oposição democrata não perdeu a oportunidade e pediu que o ex-senador renuncie e seja investigado por perjúrio.

O presidente também atacou o líder dos democratas e senador por Nova York, Chuck Shumer, uma das vozes mais fortes a pedir a renúncia de Sessions.

Em sua rede social preferida, o Twitter, o presidente colocou uma foto do senador tomando café e comendo donuts com o presidente russo, Vladimir Putin, em 2003, com a legenda: "Deveríamos começar uma investigação imediata do @SenSchumer e suas relações com a Rússia e Putin. Um total hipócrita"!.

Em resposta, Schumer assinalou que "falaria com gosto" sobre seu encontro com Putin, acrescentando: "Você e sua equipe fariam isso"?.

Em outro caso polêmico, por conta do ocultamento de conversas telefônicas com o embaixador russo, o ex-assessor de Segurança Nacional de Trump Michael Flynn cedeu à pressão política e acabou tendo de renunciar em 13 de fevereiro passado.

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