Expulso, embaixador da Coreia do Norte critica Malásia

Kuala Lumpur, 6 Mar 2017 (AFP) - O embaixador da Coreia do Norte, expulso da Malásia, criticou nesta segunda-feira a investigação sobre o assassinato do meio-irmão do líder norte-coreano, considerando que é um procedimento parcial.

Paralelamente, a Coreia do Norte ordenou a expulsão do embaixador da Malásia - chamado para consultas em fevereiro - em represália pela de seu embaixador.

O embaixador norte-coreano, Kang Chol, deixou nesta segunda-feira a Malásia em um voo da companhia nacional em direção a Pequim, segundo uma autoridade malaia.

Pouco tempo antes, policiais fortemente armados formaram um cordão de segurança na entrada da embaixada da Coreia do Norte.

"O ministério das Relações Exteriores (da Coreia do Norte) anuncia que o embaixador da Malásia é persona non grata (...) e exige sua partida" nas próximas 48 horas, afirmou a agência oficial KCNA logo depois da partida do embaixador norte-coreano.

A relação diplomática entre os dois países não para de piorar desde o assassinato de Kim Jong-nam, de 45 anos, no dia 13 de fevereiro no aeroporto de Kuala Lumpur.

Kim, meio-irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un, foi envenenado com um poderoso agente neurotóxico, o VX, considerado uma arma de destruição em massa.

O embaixador Kang Chol foi declarado persona non grata pelas autoridades malaias depois que elas exigiram em vão da Coreia do Norte desculpas por ter questionado a imparcialidade da investigação do homicídio.

A Coreia do Norte rejeitou as conclusões da necropsia e sustenta que a vítima faleceu de um ataque cardíaco.

Pouco antes de sua partida do aeroporto de Kuala Lumpur, o embaixador reiterou suas críticas à investigação.

Kang Chol insistiu que a investigação foi "mal orientada pela polícia. Realizaram uma necropsia sem o consentimento e a participação da embaixada da Coreia do Norte e detiveram posteriormente um cidadão norte-coreano sem provas sobre seu envolvimento no incidente".

As câmeras de segurança de um aeroporto de Kuala Lumpur mostram duas mulheres se aproximando no dia 13 de fevereiro da vítima de 45 anos e lançando algo em seu rosto. Segundo Kuala Lumpur, Kim Jong-nam morreu em menos de 20 minutos e sua morte provavelmente foi muito dolorosa.

As duas mulheres, uma vietnamita de 28 anos e uma indonésia de 25, estão detidas acusadas de assassinato.

Oito norte-coreanos são suspeitos de terem tido um papel no crime. Quatro deixaram a Malásia no dia 13 de fevereiro. Na sexta-feira, Kuala Lumpur foi obrigado a libertar o único suspeito norte-coreano por falta de provas.

- A tensão no futebol -Desde que o caso teve início, a Coreia do Sul acusa seu vizinho do Norte pelo assassinato, citando o que diz ser uma ordem permanente do líder Kim Jong-un de assassinar seu meio-irmão exilado.

A crise diplomática entre Malásia e Coreia do Norte, que mantinham até então relações relativamente cordiais, começou quando a polícia malaia rejeitou um pedido de diplomatas norte-coreanos que exigiam a entrega do corpo de Kim, condicionando a liberação do cadáver à apresentação de um membro da família que pudesse identificá-lo formalmente.

A Malásia convocou posteriormente o embaixador e chamou para consultas seu enviado em Pyongyang. Mas o embaixador Kang Chol não se apresentou a uma convocação no sábado, e Kuala Lumpur ordenou sua expulsão.

A tensão se estendeu ao esporte. As autoridades malaias proibiram nesta segunda-feira a seleção nacional de futebol a disputar uma partida de classificação para a Copa da Ásia em Pyongyang, citando ameaças à segurança de seus cidadãos.

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