Farc nega ter recebido suborno da Odebrecht

Bogotá, 6 Mar 2017 (AFP) - A guerrilha das Farc da Colômbia, que implementa um acordo de paz com o governo para superar meio século de conflito, negou nesta segunda-feira ter recebido dinheiro da Odebrecht, construtora brasileira no centro do maior escândalo de corrupção da América Latina.

"Nós não estamos cientes de que a insurgência das Farc tenha recebido financiamento da empresa Odebrecht", declarou em uma entrevista coletiva Pastor Alape, membro da cúpula do grupo rebelde.

Alape, integrante do secretariado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal e mais antiga guerrilha do país, apontou que "a mesma empresa esclareceu que nenhuma situação semelhante aconteceu".

De fato, no domingo, a construtora Odebrecht negou ter repassado dinheiro durante 20 anos às Farc para garantir a segurança de suas obras na Colômbia, como afirmou no sábado a revista Veja.

"A Odebrecht desmente e confirma que a afirmação da Veja, segundo a qual a empresa teria realizado pagamentos a um grupo guerrilheiro colombiano, é uma especulação", indicou a construtora em um comunicado enviado à AFP.

Segundo a Veja, dois executivos da empresa em depoimento admitiram os pagamentos, entre US$ 50 mil e US$ 100 mil por mês, em troca de "licenças" para a realização de obras nas áreas controladas pela guerrilha.

A medida foi adotada nos anos 1990, depois que as Farc sequestraram dois executivos da Odebrecht.

Nos balanços da empresa, o chamado "imposto guerrilheiro" pago às Farc aparecia dentro das rubricas "custo operacional", ou "tributo territorial".

Esse acordo permitiu à Odebrecht realizar, entre outros trabalhos, a Rota do Sol. Essa autoestrada de mais de 500 km une o centro da Colômbia à costa do Caribe.

Por casos de corrupção da Odebrecht, detectados em vários países da América Latina, foram presos na Colômbia o ex-vice-ministro dos Transporte Gabriel Garcia, o ex-senador Otto Bula e o engenheiro Andres Cardona por supostas propinas em obras em Bogotá.

Também está sendo investigada a participação da Odebrecht na campanha de reeleição do presidente Juan Manuel Santos, e de seu adversário, Oscar Ivan Zuluaga, em 2014.

As Farc assinaram em novembro um acordo de paz com o governo para acabar com um conflito de múltiplos atores (guerrilheiros, paramilitares, atores estatais), que deixou pelo menos 260.000 mortos, 60.000 desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados.

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