Procuradoria do Peru denuncia ex-presidente García por caso Odebrecht

Lima, 6 Mar 2017 (AFP) - A Procuradoria do Peru denunciou nesta segunda-feira (6) o ex-presidente Alan García e ex-funcionários de seu governo por vínculos com o pagamento de subornos que a empreiteira Odebrecht reconheceu ter feito para realizar uma obra durante seu mandato.

Segundo a procuradora para casos de corrupção vinculados com subornos de empresas brasileiras, Katherine Ampuero, García é acusado de cometer delitos contra a administração pública. A denúncia também inclui o ex-ministro de Transportes Enrique Cornejo e um ex-diretor do setor.

A acusação foi entregue à Procuradoria Anticorrupção para decidir se será aberta uma investigação, de acordo com os antecedentes apresentados pela Procuradoria, que no Peru agrupa os advogados que trabalham pelos interesses do Estado.

A Odebrecht assegura ter pago uma quantia de sete milhões de dólares durante o governo de Alan García para que obtivessem a licitação da construção da Linha 1 do metrô de Lima. Por este caso já estão presos três funcionários do governo de García, entre eles o vice-ministro de Comunicações Jorge Cuba.

"Declaro que, como sempre, estou à disposição de toda investigação e para comparecer a qualquer citação", tuitou nesta segunda o ex-presidente García.

"Como disse: não tenho nada a ver com atos de corrupção. Colaborarei com todas as instituições que investigam, mas não me usem", disse o ex-ministro Cornejo, no Twitter.

A Odebrecht admitiu ter desembolsado 29 milhões de dólares para obter obras de forma ilegal durante 2005-2014 no Peru.

A Justiça do país pediu a extradição dos Estados Unidos do ex-presidente Alejandro Toledo, a quem a Odebrecht acusa de ter recebido 20 milhões de dólares em troca da concessão da construção da estrada interoceânica, que liga o Peru ao Brasil.

A Procuradoria também solicitou nesta segunda-feira ao Procurador da Nação, Pablo Sánchez, que inicie uma investigação preliminar contra o atual presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, por supostos depósitos que a Odebrecht teria realizado para empresas vinculadas ao atual governante.

A intenção é verificar se a Odebrecht participou do financiamento da última campanha presidencial da Kuczynski, que também foi primeiro-ministro de Toledo durante a concessão da obra à Odebrecht.

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