40º Dia de Luta pelos Direitos da Mulher em meio a protestos

Paris, 7 Mar 2017 (AFP) - Sem presentes ou flores, apenas atos. O 40º Dia Internacional pelos Direitos da Mulher nesta quarta-feira será uma ocasião para lembrar que a luta pela igualdade segue em vigor diante de uma ascensão do discurso sexista que inquieta os movimentos feministas.

Criado pelas Nações Unidas em 1977, o dia 8 de março refletirá neste ano as múltiplas manifestações de milhares de pessoas organizadas nestes últimos meses para defender seus direitos ante as políticas que questionam o direito de aborto na Europa, a explosão do número de feminicídios na América Latina e a exaltação dos discursos machistas.

"O dia 8 de março não é apenas uma comemoração, tem que nos permitir refletir sobre a situação atual", explica à AFP Barbara Nowacka, política polonesa e representante do comitê "Salvemos as mulheres". Segundo ela, "há muito a ser feito a respeito do lugar das mulheres no mundo do trabalho, na sociedade e na política".

As últimas mudanças políticas a preocupam, como a descriminalização da violência doméstica na Rússia ou a tentativa do partido do poder em seu país, Direito e Justiça (PiS), de limitar o direito ao aborto, quando na Polônia este direito é um dos mais restritivos da Europa.

No outono, mais de 100.000 mulheres protestaram contra este projeto, o que fez com que o governo cedesse temporariamente.

Em 2015, o governo conservador espanhol já tentou restringir este direito.

Seguindo uma "guinada à direita", há "um aumento em potencial dos antiaborto em nível europeu. Unem-se, estão muito presentes nas redes sociais e dispõem de apoio político", observa Christine Mauget, responsável pelas questões internacionais do movimento francês Planning familial.

"O problema não é o aborto, mas a gravidez indesejada", lamenta, insistindo na importância da prevenção e da educação sexual.

- Impedir que os direitos "retrocedam" -A luta contra a violência continua sendo um tema preocupante. Segundo a ONU, 35% das mulheres foram vítimas de violência física ou sexual no mundo, 200 milhões de meninas ou mulheres sofreram uma forma de mutilação genital e 700 milhões de mulheres foram obrigadas a se casar antes dos 18 anos.

Em outubro, toda a América Latina se ergueu contra os feminicídios através do movimento #NiUnaMenos, que surgiu na Argentina após a morte de uma adolescente, drogada e estuprada.

"As redes sociais serviram de catarse", analisa Ariadna Estévez, pesquisadora na Universidade Nacional Autônoma do México, comemorando o "despertar" desta região.

"Estamos revoltadas, mas não somos impotentes", acrescenta, por sua vez, Barbara Nowacka. "Os direitos da mulher estão em perigo mais do que nunca, mas são mais debatidos", acrescenta, esperando que milhares de mulheres polonesas se manifestem nesta quarta-feira "contra o governo" e em apoio a "todas as mulheres oprimidas pelo patriarcado e pelas religiões".

"Em 2017, o tema do machismo continua sendo central", reitera Christine Mauget. "Temos problemas para fazer as coisas avançarem, mas conseguimos impedir que retrocedam".

Em janeiro, um dia após a posse de Donald Trump, cujos comentários vulgares sobre as mulheres em 2005 e que vieram à tona durante a campanha eleitoral deram a volta ao mundo, a "Marcha das Mulheres" reuniu mais de dois milhões de pessoas em todo o planeta, principalmente nos Estados Unidos.

Usando gorros cor-de-rosa com orelhas de gato, em referência a um jogo de palavras em inglês com a palavra "pussy", que quer dizer gatinho e também se refere pejorativamente ao órgão sexual feminino, os manifestantes saíram às ruas para demonstrar sua oposição ao programa do novo presidente e defender o aborto na primeira potência mundial.

Dois dias depois do gigantesco protesto, Trump aparecia no Salão Oval, cercado de conselheiros, todos do sexo masculino, para assinar um decreto proibindo o financiamento de ONGs estrangeiras que apoiam o aborto.

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