Candidato da direita à presidência francesa tenta relançar campanha

Paris, 7 Mar 2017 (AFP) - O candidato da direita à presidência francesa, François Fillon, com o apoio de seu campo, apesar dos problemas com a justiça, tenta nesta terça-feira relançar sua campanha, faltando menos de 50 dias para o primeiro turno da eleição.

Após o fim oficial da crise política desencadeada por suspeitas de empregos fictícios envolvendo sua família, noas acusações foram publicadas nesta terça-feira pela revista Le Canard Enchaîné.

Segundo a edição datada de quarta-feira, o veículo, que já havia revelado no final de janeiro o caso de empregos fictícios, informou que Fillon obteve em 2013 um empréstimo de 50.000 euros do empresário Marc Lacharriere, que não incluiu em sua declaração de bens à alta autoridade para a transparência na vida pública.

Este empréstimo, concedido por alguém que já havia fornecido um polêmico emprego a esposa do político, Penelope Fillon, em uma revista literária, foi "totalmente reembolsado", afirmou ao jornal o advogado de Fillon, Antonin Levy, recusando-se a especificar em que data.

Depois de semanas de turbulências, marcadas por insistentes apelos para renunciar, Fillon deve reconstruir sua equipe de campanha após seguidas deserções, reunir a direita, além de enfrentar os juízes.

O principal objetivo é reconquistar a opinião pública: após liderar as pesquisas desde a sua nomeação nas primárias da direita, em novembro, Fillon, de 63 anos, é apontado como sendo derrotado no primeiro turno de 23 de abril pela chefe da extrema-direita, Marine Le Pen, e pelo centrista Emmanuel Macron.

Atrás deste trio aparecem o socialista Benoît Hamon e o candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, que não conseguiram acordar uma proposta conjunta.

'Serrar as fileiras'De acordo com a imprensa, o candidato da direita pode ter conquistado uma vitória ao conseguir na segunda-feira um "apoio unânime" do seu partido após a renúncia do ex-primeiro-ministro Alain Juppé de ser seu substituto.

Mas, segundo os comentaristas, o mais difícil ainda precisa ser feito. "Se quiser alguma chance, a direita deve relançar sua campanha e cerrar fileiras atrás do único candidato ainda de pé: François Fillon", considerou o jornal conservador Le Figaro.

"Agora, daremos espaço ao diálogo entre François Fillon, o candidato, e o povo da França", lançou nesta terça-feira o coordenador de sua campanha, Bruno Retailleau.

Sua comitiva promete "um discurso de mobilização e união da direita e do centro" durante o comício programado para esta noite em Orleans (centro).

Já abalado pelas revelações dos empregos fictícios visando sua esposa Penélope e seus dois filhos, o próprio François Fillon deu um toque dramático ao caso ao anunciar na semana passada que iria ser convocado em 15 de março pela justiça para ser indiciado.

O anúncio, numa coletiva de imprensa com a presença de jornalistas de todo o mundo, causou uma cascata de deserções em seu campo, incluindo o seu gerente de campanha.

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