Coreia do Norte afirma treinar para atacar bases dos EUA no Japão

Seul, 7 Mar 2017 (AFP) - A Coreia do Norte afirmou nesta terça-feira que os disparos de mísseis balísticos são um exercício com o objetivo de atacar as bases dos Estados Unidos no Japão, em um novo desafio ao presidente Donald Trump e à comunidade internacional.

Três dos quatro mísseis balísticos lançados na segunda-feira pela Coreia do Norte caíram perigosamente perto do Japão, na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do país.

O presidente americano, Donald Trump, expressou na segunda-feira o "compromisso inviolável dos Estados Unidos de estar ao lado do Japão e da Coreia do Sul ante as sérias ameaças representadas pela Coreia do Norte", segundo um comunicado da Casa Branca.

O secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, condenou os disparos de mísseis balísticos, afirmando que "ações como estas violam as resoluções do Conselho de Segurança e minam gravemente a paz e a estabilidade regional", de acordo com seu porta-voz Farhan Haq.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reunirá na quarta-feira, a pedido de Tóquio e Seul, para examinar a situação.

As resoluções da ONU proíbem a Coreia do Norte de utilizar qualquer tipo de míssil balístico.

Os seis pacotes sucessivos de sanções impostos pela ONU desde o primeiro teste nuclear norte-coreano em 2006, no entanto, não conseguiram dissuadir Pyongyang de seguir adiante com seu programa.

De acordo com a agência estatal norte-coreana KCNA, o dirigente Kim Jong-un ordenou e supervisionou os disparos dos mísseis por uma unidade de artilharia.

"Os quatro mísseis balísticos lançados simultaneamente eram tão precisos que pareciam aviões fazendo acrobacias em formação", descreveu a agência norte-coreana.

- 'Apagar do mapa' -O "objetivo" era "atingir as bases militares do agressor imperialista norte-americano no Japão, se isto fosse necessário", afirmou a KCNA.

Os disparos são a prova de que o Norte está disposto a "apagar do mapa" seus inimigos, com "ataques nucleares impiedosos", insiste a agência.

Em fotografias publicadas pelo jornal Rodong Sinmun, Kim Jong-Un observa, sorridente e aplaudindo, os lançamentos dos mísseis, ao lado de outras autoridades do regime norte-coreano.

Para Choi Kang, analista do Instituto Asan de Estudos Políticos, os novos disparos representam uma clara advertência ao Japão.

"A Coreia do Norte demonstra que seus objetivos não se limitam mais à península coreana e podem ser ampliados, a qualquer momento, ao Japão e inclusive aos Estados Unidos".

Washington anunciou a instalação do sistema antimísseis THAAD na Coreia do Sul, poucas horas depois dos testes de mísseis pelo regime norte-coreano.

A informação provocou uma reação imediata da China.

"A China tomará resolutamente as medidas necessárias para defender os próprios interesses (em termos) de segurança", afirmou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang.

"Todas as consequências decorrentes disto serão suportadas por Estados Unidos e Coreia do Sul", completou, horas depois do anúncio americano do início da instalação de elementos do sistema antimísseis na Coreia do Sul.

A China considera que o sistema THAAD (Terminal High-Altitude Area Defense) e seu potente radar podem reduzir a eficiência de seus próprios sistemas de mísseis.

Trump enfatizou na segunda-feira que seu governo "está dando os passos para melhorar ainda mais nossa capacidade para dissuadir e nos defender dos mísseis balísticos da Coreia do Norte, usando toda a gama de meios militares dos Estados Unidos".

Kim Jong-Un tenta desenvolver um míssil balístico intercontinental capaz de atingir o território dos Estados Unidos, algo que, advertiu Trump há alguns meses, "não vai acontecer".

No mês passado, Pyongyang lançou um míssil balístico - o primeiro desde outubro de 2016 -, que de acordo com Seul tinha como objetivo testar a resposta de Trump.

Washington advertiu em várias oportunidades que não vai tolerar o acesso da Coreia do Norte à arma nuclear. O governo dos Estados Unidos pressiona a China, principal aliado e sócio comercial de Pyongyang, a fazer o máximo para controlar o país vizinho.

Tudo isto acontece poucos dias após o início dos exercícios militares conjuntos de Seul e Washington, manobras anuais que sempre provocam a revolta de Pyongyang, que as considera testes para uma eventual invasão.

sh-bur/fp

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