Trump enfrenta ira dos conservadores por reforma do sistema de saúde

Washington, 8 Mar 2017 (AFP) - Donald Trump enfrentou nesta terça-feira (7) uma verdadeira rebelião da ala mais conservadora do Partido Republicano em relação ao projeto de reforma do sistema público de saúde "Obamacare".

Para esses parlamentares, o plano anunciado na noite de segunda-feira (6) por um grupo ligado à direção republicana e apoiado pela Casa Branca é muito parecido com o sistema atual, e não promove uma retirada completa do Estado do mercado de planos de saúde.

A revolta inclui parlamentares ligados à ala ultraconservadora do partido conhecida como 'Tea Party', que abriga nomes como Dave Brat e o senador e ex-aspirante à presidência Rand Paul.

"Esse é um Obamacare light, e não será aprovado. Os conservadores não irão apoiar essa ideia", disse Paul nesta terça-feira.

Se o movimento conseguir manter sua motivação, pode fazer fracassar a ideia de reforma do sistema "Obamacare", uma das mais importantes promessas de campanha de Trump.

É esperado que os parlamentares democratas votem contra a reforma, e por isso os republicanos devem organizar uma unidade interna sólida para conseguir que a proposta consiga avançar.

Os republicanos controlam as duas câmaras do Congresso, porém a controvérsia quanto ao alcance da reforma do atual sistema de saúde tornou perceptível as divisões internas.

A tentativa de reformar o sistema de saúde, sete anos após a emblemática lei sancionada por Barack Obama, terá seu primeiro teste nesta quarta-feira, quando duas comissões da Câmara de Representantes debaterem a proposta.

Diversas organizações conservadoras requisitaram formalmente na terça-feira o voto contra a proposta, que foi apresentada pelos líderes republicanos no Congresso.

Entre esses poderosos grupos conservadores estão o Clube do Crescimento, os Americanos pela Prosperidade, e o influente Freedom Partners, sustentado pelos irmãos multimilionários Koch.

Em nota, o Clube do Crescimento classificou o projeto de reforma como sendo "um substituto defasado para um sistema controlado pelo governo".

Trump, por sua vez, manteve reuniões com parlamentares republicanos, incluindo o chefe da bancada do Senado, e diante da imprensa declarou sentir-se "orgulhoso de apoiar o projeto de reforma".

O secretário de Saúde, Tom Price, disse nesta terça-feira (7) que a apresentação do projeto é apenas "o início do processo", e que de agora em diante acontecerão intensas negociações.

O presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, tentou minimizar as divisões entre os republicanos: "teremos 218 (votos) quando isto for ao plenário, posso garantir isto".

Ryan se referia à maioria na Câmara de Representantes, composta por 435 cadeiras.

O vice-presidente, Mike Pence, destacou que a proposta está "aberta a melhorias" no Congresso.

O projeto de Trump também enfrenta a oposição de grupos moderados, incluindo governadores republicanos que temem que a eliminação da expansão do Medicaid deixe milhares sem cobertura médica.

A lei do Obamacare foi aprovada em 2010 como resultado de um complexo processo de negociação conduzido pelo então presidente Barack Obama, com o objetivo de garantir um seguro de saúde para milhões de americanos.

Aproximadamente um terço dos americanos têm algum tipo de cobertura médica pública. A metade da população dispõe de seguros de saúde através de seus empregos no mercado privado.

Mas com o sistema "Obamacare", o governo de Obama permitiu que grande parte dos americanos sem cobertura médica contassem com um seguro de saúde.

A reforma de Obama reduziu o percentual de cidadãos sem seguro médico a menos de 9% em 2016, mas os republicanos repudiam um sistema universal de saúde por seu custo para o Estado e pela elevação dos custos das seguradoras.

Ainda assim, o projeto de Trump mantém duas medidas centrais do Obamacare: a inclusão dos jovens de até 26 anos nos programas de saúde dos pais e a proibição das seguradoras de rejeitar uma cobertura devido ao prontuário médico do candidato.

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