China apela por accordo entre EUA e Coreia do Norte para evitar "choque frontal"

Pequim, 8 Mar 2017 (AFP) - A China conclamou nesta quarta-feira a Coreia do Norte a suspender seu programa nuclear e de mísseis, ao mesmo tempo que pediu aos Estados Unidos e Coreia do Sul para que detenham suas manobras militares, um acordo que segundo Pequim permitira evitar um "choque frontal".

A proposta do chanceler chinês Wang Yi foi anunciada após vários eventos recentes que elevaram a tensão na região, incluindo o lançamento de quatro mísseis na segunda-feira pela Coreia do Norte - três deles caíram perigosamente perto da costa do Japão.

A China está especialmente preocupada com o sistema americano de defesa antimísseis THAAD, que está sendo instalado na Coreia do Sul como escudo de proteção contra a crescente ameaça dos mísseis do Norte.

Wang advertiu sobre a "crise iminente" provocada pelos testes nucleares e de mísseis da Coreia do Norte, assim como pelos exercícios militares anuais dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.

"As duas partes são como dois trens que aceleram à medida que se aproximam um do outro e nenhum dos dois está disposto a ceder passagem", afirmou Wang.

Para o chanceler chinês, "a questão é: As partes estão realmente dispostas a um choque frontal? Nossa prioridade hoje é parar a luz vermelha e frear os dois trens".

A China propõe como primeiro passo que a Coreia do Norte suspenda suas atividades nucleares e de mísseis em troca da paralisação das manobras conjuntas em grande escala de Estados Unidos e Coreia do Sul".

Na segunda-feira, Pyongyang lançou ao menos quatro mísseis em direção ao Mar do Japão e três deles caíram dentro das 200 milhas náuticas da zona econômica exclusiva japonesa.

Seul e Washington haviam iniciado algumas horas antes os exercícios militares conjuntos anuais que sempre enfurecem Pyongyang.

O governo americano anunciou ainda o início da instalação de um sistema de proteção contra os mísseis da Coreia do Norte, que Pequim considera uma ameaça contra seus próprios interesses de defesa.

Wang disse que a "suspensão em troca de outra suspensão pode nos ajudar a sair do dilema de segurança e levar as partes de volta à mesa de negociações", conversações que teriam como objetivo dar fim aos programas de armamento de Pyongyang.

- "Comportamento desestabilizador" - Ofertas similares recentes da Coreia do Norte foram rejeitadas pelo governo do então presidente americano Barack Obama, para quem Pyongyang não tinha o direito de exigir concessões pelo simples fato de respeitar as resoluções da ONU.

Seis pacotes sucessivos de sanções impostos pela ONU desde o primeiro teste nuclear norte-coreano em 2006, no entanto, não conseguiram dissuadir Pyongyang de seguir adiante com seu programa.

Wang reiterou as críticas da China ao sistema antimísseis americano.

"O muito controverso sistema THAAD é o tema principal nas relações entre China e Coreia do Sul", disse, antes de completar que o mesmo "prejudica a estratégia de segurança da China".

A Coreia do Norte afirmou na terça-feira que os disparos de mísseis balísticos eram um exercício para preparar um eventual ataque contra bases dos Estados Unidos no Japão.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou energicamente na terça-feira os recentes disparos de mísseis balísticos por parte da Coreia do Norte e manifestou sua preocupação diante do "comportamento cada vez mais desestabilizador" de Pyongyang.

As atividades da Coreia do Norte "aumentam as tensões na região e mais além, assim como o risco de uma corrida armamentista regional", afirma o Conselho em sua declaração.

O Conselho se reunirá em caráter de urgência nesta quarta-feira a pedido do Japão e dos Estados Unidos para discutir os recentes lançamentos de mísseis norte-coreanos.

O presidente americano Donald Trump expressou o "compromisso inviolável dos Estados Unidos de estar ao lado do Japão e da Coreia do Sul ante as sérias ameaças representadas pela Coreia do Norte".

O Departamento de Estado americano informou na noite de terça-feira que o secretário Rex Tillerson visitará Coreia do Sul, Japão e China entre 15 e 19 de março.

"Em cada país o secretário Tillerson se reunirá com altos funcionários para discutir assuntos bilaterais e multilaterais, incluindo a cooperação estratégica para enfrentar o avanço da ameaça nuclear e de mísseis da RPDC (Coreia do Norte) e reafirmar o compromisso da administração (de Donald Trump) para ampliar os interesses em segurança e econômicos dos EUA na região Ásia-Pacífico", informou o porta-voz Mark Toner.

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