Forças iraquianas consolidam posições em bairros do oeste de Mossul

Mossul, Iraque, 8 Mar 2017 (AFP) - As formas iraquianas retomaram nesta quarta-feira uma prisão perto da cidade de Mossul onde o grupo extremista Estado Islâmico (EI) supostamente executou centenas de pessoas e prendeu mulheres da minoria yazidi.

Os combatentes da nona divisão blindada e um grupo paramilitar reconquistaram a prisão de Badush, localizada no noroeste da cidade, indicou o exército, que não informou se ainda havia prisioneiros.

Segundo a ONG Human Rights Watch, o EI executou em junho de 2014 cerca de 600 detentos, em sua maioria xiitas, nessa prisão. Os extremistas teriam obrigado algumas de suas vítimas a aproximar-se de um barranco antes de empurrá-las e queimaram outras.

Uma deputada yazidi, Vian Dakhil, denunciou que o EI prendia no loval mais de 500 pessoas dessa minoria religiosa.

Enquanto isso, as tropas desminavam os bairros do oeste de Mossul tomados nos últimos dias do EI, antes de retomar seu avanço rumo à parte antiga da cidade.

"Nós nos concentramos na consolidação das zonas liberadas e na desminagem" das bombas escondidas em algumas casas, explicou o coronel Abdel Amir al Mohamedawi, das Forças de Intervenção Rápida, a unidade de elite do ministério do Interior.

Nos últimos dias, as tropas iraquianas reconquistaram um bairro administrativo no qual se encontram a sede do governo da província de Nínive, o quartel-general da polícia e o museu de Mossul.

Para Al Mohamedawi, a reconquista desta zona é uma etapa muito importante rumo à liberação da parte antiga desta cidade do norte do Iraque.

"Foram erguidos muros e barreiras para proteger as forças, que começaram operações para desalojar os últimos combatentes do EI nas zonas de Al Dawasa, Al Danadan e Al Agaidat", indicou o tenente Raed shakir Jawdat, comandante da polícia federal.

Bagdá também anunciou nesta quarta-feira a reconquista de outros dois bairros no âmbito da ofensiva que lançou no dia 19 de fevereiro para retomar o oeste de Mossul, último reduto do EI no Iraque, com a ajuda da coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos.

- Civis bloqueados -Nos bairros onde eram travados os combates, vários habitantes permaneceram por vários dias fechados em suas casas, esgotando suas reservas de comida, por medo de que os jihadistas os sequestrassem.

"Os que saíam eram sequestrados. Os combates eram muito violentos, vários morteiros caíram sobre nosso telhado e no pátio", contou Manhal, um habitante de Al Danadan de 28 anos.

Após o avanço da última semana, as tropas iraquianas olham agora para a cidade antiga, um labirinto de ruelas densamente povoado, onde a batalha com os extremistas pode viver seu episódio mais violento.

Os combates no oeste de Mossul provocaram o êxodo de mais de 50.000 pessoas, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

No entanto, a maior parte dos 750.000 habitantes da zona, onde os alimentos e medicamentos estão escassos, ainda permanece em seus lares, uma situação que preocupa as organizações humanitárias.

No fim de janeiro, as forças iraquianas haviam reconquistado a parte oriental de Mossul, a segunda cidade do país, onde o EI havia se instalado em junho de 2014 após uma ofensiva relâmpago ao norte e a oeste de Bagdá.

Mas desde março de 2015, com a libertação da cidade de Tikrit, e ao longo do ano de 2016 a organização extremista perdeu quase todos os territórios conquistados.

Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro iraquiano, Haidar al-Abadi, afirmou que o Iraque não hesitará em atingir as posições do grupo extremista sunita nos países vizinhos "se eles ameaçarem a segurança" de seu país.

- Retrocesso na Síria -O grupo extremista também está retrocedendo na vizinha Síria.

No norte deste país, que está há sete anos em guerra, o EI enfrenta duas ofensivas: a das forças do regime apoiadas pela Rússia, e a de uma aliança apoiada pelos Estados Unidos, que se aproximam de seu reduto de Raqa.

Na noite de terça-feira, as forças do regime sírio tomaram do EI a estação de bombeamento que fornece água à cidade de Aleppo.

Os extremistas haviam inutilizado esta estação após a conquista de Aleppo pelo exército sírio em dezembro, deixando os habitantes da cidade sem água corrente.

As forças do regime reforçavam nesta quarta-feira seu controle sobre esta zona "com intensos bombardeios russos sobre as posições do EI", indicou Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos.

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