Alemanha defende reconciliação com Turquia, mas faz novas críticas

Berlim, 9 Mar 2017 (AFP) - A chanceler Angela Merkel prometeu nesta quinta-feira trabalhar em uma aproximação com a Turquia, em plena crise diplomática, mas insistiu no respeito dos valores democráticos e denunciou as acusações turcas de prática de nazismo contra a Alemanha.

"Embora agora a situação seja difícil, não nos beneficia geopoliticamente, em matéria de política externa e de segurança, deixar a Turquia, um parceiro dentro da Otan, se afastar ainda mais", disse Merkel aos deputados alemães.

Após uma semana de tensões diplomáticas causadas pelo cancelamento de comícios eleitorais na Alemanha de partidários do presidente Recep Tayyip Erdogan, a chanceler insistiu novamente nos valores democráticos de seu país.

A Turquia não aceita as críticas alemãs sobre os expurgos contra a oposição e a imprensa após o golpe de Estado frustrado de julho.

Merkel lembrou que as negociações com a Turquia são realizadas "com base em nossos valores, ou seja, liberdade de opinião, liberdade de imprensa, liberdade de expressão e liberdade de reunião".

Um dia antes, seu chefe da diplomacia, Sigmar Gabriel, invocou, por sua parte, a amizade entre os dois países - a diáspora turca na Alemanha conta com três milhões de pessoas - para resolver suas diferenças, um pedido bem recebido por Ancara, que considera Berlim responsável pelas atuais desavenças.

Ancara considera que o cancelamento sucessivo de manifestações na Alemanha - onde 1,4 milhão de eleitores turcos vivem - é uma tentativa de favorecer o "Não".

Em meio a essa situação, Ancara informou a Berlim de sua intenção de organizar ceca de 30 minicomícios pró-Erdogan na Alemanha, segundo o chefe da diplomacia turca.

"O que esperamos da Alemanha é que solucione este problema. Temos a intenção de organizar umas trinta concentrações. Já informamos às autoridades alemãs", afirmou as autoridades alemãs", declarou Melvüt Cavusoglu, citado pela cadeia CNN-Türk.

O governo alemão, por sua vez, negou qualquer tentativa de ingerência e rejeitou a responsabilidade no cancelamento dos atos que se devem, segundo Berlim, a decisões das autoridades locais que alegam motivos de segurança ou de logística.

Estes atos eleitorais deveriam contar com discursos de ministros turcos para defender o "sim" no referendo.

Mas este caso está longe de ser a única fonte de tensão entre Ancara e Berlim. A Alemanha denunciou com veemência a prisão na semana passada do correspondente germano-turco do jornal Die Welt, Deniz Yücel, acusado de "propaganda terrorista".

Ancara critica, por sua vez, a Alemanha por abrigar "terroristas", sejam eles simpatizantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), organização terrorista, de acordo com Turquia, União Europeia e Estados Unidos, ou supostos golpistas envolvidos no golpe de julho frustrado.

Berlim registrou nos últimos meses milhares de pedidos de asilo de cidadãos turcos, em particular dezenas de diplomatas e militares.

- Autocracia -Merkel voltou à carga ao classificar de "tristes, deprimentes e fora de lugar " as declarações do presidente turco, acusando Berlim de recorrer a "práticas nazistas" por não autorizar os comícios turcos.

Por seu lado, o presidente do Parlamento alemão, Norbert Lammert foi, inclusive, mais longe, ao falar de "deriva autocrática".

Segundo analistas, os dirigentes turcos buscam, através do conflito com a Alemanha, apelar para o sentimento nacionalista e o ressentimento em relação à Europa para ganhar pontos, em um momento em que o resultado da consulta é incerto.

Além disso, o governo alemão teme que Ancara atice ainda mais na Alemanha as tensões entre opositores e partidários de Erdogan e entre turcos e curdos, conflitos que dividiriam a Turquia.

Em outras parte da Europa, a ambição de Ancara em fazer campanha pelo "sim" é mal vista.

A Turquia é um sócio imprescindível para a Alemanha e a União Europeia, especialmente para frear a afluência de refugiados na Europa.

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