UE quer avançar 'rapidamente' em negociação de acordos comerciais

Bruxelas, 10 Mar 2017 (AFP) - A União Europeia (UE) quer avançar "rapidamente" nos acordos comerciais que estão em negociação, anunciou nesta quinta-feira o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ao final de uma reunião de líderes europeus em Bruxelas.

"O comércio é central para nosso êxito econômico e, por isso, avançaremos rapidamente em nossas negociações em andamento, como a do Japão", afirmou em uma coletiva de imprensa Tusk, em um momento em que os europeus veem com preocupação a tendência protecionista do novo governo americano.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, anunciou a visita, no próximo 21 de março, do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, a Bruxelas, que servirá "para explicar a todo o planeta" que a Europa é um "continente de livre comércio" baseado em regras.

Embora Tusk e Juncker só tenham citado o Japão, com o qual o executivo comunitário negocia há anos um acordo que espera concluir em 2017, a UE também mantém negociações com o México, para modernizar o tratado comercial entre ambos, e com os países do Mercosul.

Ao chegar à reunião europeia, a chanceler alemã, Angela Merkel, tinha apontado que, após o tratado com o Canadá, os europeus iam discutir sobre vários tratados de livre comércio, como "o do Japão, o do Mercosul e outros".

Estas declarações chegam dias antes da próxima rodada de negociações prevista entre a UE e o bloco sul-americano, em Buenos Aires, assim como outra entre os europeus e o México em Bruxelas, no início de abril.

- Tusk reeleito -Os dirigentes europeus reelegeram o polonês Donald Tusk à frente do Conselho Europeu, durante uma cúpula concentrada em fortalecer a unidade pós-Brexit, apesar da oposição da Polônia, que denunciou o "diktat" ("imposição") de Berlim à União Europeia (UE).

"Isto é agora uma União sob o 'diktat' de Berlim", declarou o chanceler polonês, Witold Waszczykowski, que assim como sua primeira-ministra, Beata Szydlo, qualificou de precedente "muito perigoso" a eleição do presidente do Conselho contra a opinião de seu país de origem.

"Farei o meu melhor para tornar a UE melhor", reagiu Tusk na rede social.

O polonês foi reeleito com 27 votos contra um, segundo uma fonte diplomática, confirmando o amplo apoio dos líderes do bloco, com Paris e Berlim à frente.

Sua reeleição enviará "um sinal de estabilidade para toda a UE", considerou a chanceler alemã, Angela Merkel.

Em represália, o governo polonês decidiu bloquear as conclusões da cúpula, que normalmente seriam adotadas por unanimidade, indicaram fontes europeias à AFP.

Após a bloqueio polonês, Tusk advertiu que o país não deve "queimar pontes" com a UE. "Tenham cuidado com as pontes que queimam, porque uma vez que o façam, já não poderão cruzá-las novamente", disse em coletiva de imprensa.

Donald Tusk afirmou que isso era dirigido a "todos" os países do bloco, mas "especialmente ao governo polonês".

Entretanto, segundo uma fonte europeia, tal bloqueio não muda em nada a votação de Tusk.

A primeira-ministra polonesa havia pedido a seus sócios europeus que não renovassem seu antecessor à frente do governo polonês entre 2007 e 2014, ao acusá-lo de violar sua neutralidade.

A reeleição de Tusk precisava de 21 países, que representassem 65% da população do bloco.

- May destaca fim de pagamentos à UE -A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou a seus homólogos europeus que o Reino Unido deixará de pagar "grandes somas" de dinheiro ao orçamento da União Europeia (UE) após a saída de seu país do bloco.

"Quando os eleitores votaram em 23 de junho para que abandonássemos a UE, votaram para não pagar mais tarde grandes somas de dinheiro à UE a cada ano", disse May em sua última cúpula europeia em Bruxelas, antes do prazo do fim do mês fixado para notificar oficialmente o Brexit.

"E, obviamente, quando abandonarmos a UE, isso ocorrerá", insistiu a chefe de governo, que está concluindo o trâmite no Parlamento britânico da lei do Brexit para notificar oficialmente a decisão, abrindo caminho às negociações com os 27.

Bruxelas poderia reclamar aos britânicos uma "fatura" de 60 bilhões de euros por sair da UE, segundo várias fontes europeias. Este montante corresponde aos compromissos já assumidos por Londres em termos de contribuição ao orçamento da UE.

Na sexta-feira, sem a presença de May, os líderes da UE vão se concentrar na parte da manhã na preparação da "Declaração de Roma", que eles preveem publicar por ocasião dos 60 anos do tratado fundador da Comunidade - que posteriormente se tornou União - europeia, que serão celebrados em Roma, em 25 de março.

Este texto solene deve mostrar que a UE permanecerá unida após o Brexit. Mas é a intenção de um futuro "a várias velocidades" para a Europa que cristaliza os debates: a ideia é apoiada principalmente pela França e a Alemanha, que desejam reforçar a defesa europeia sem ser bloqueados pelos países relutantes.

Outros países se preocupam com o fato de se tornar membros de segunda classe da União, como os integrantes do grupo de Visegrad (Polônia, Hungria, República Tcheca e Eslováquia), que se revoltaram contra a política migratória da UE.

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