Paris e Berlim promovem uma Europa em 'várias velocidades'

Bruxelas, 10 Mar 2017 (AFP) - Alemanha e França pediram nesta sexta-feira aos países da UE que aceitem o cenário de uma Europa "a várias velocidades", rejeitada pelos países do leste, para que a Europa possa superar o Brexit.

Reunidos em Bruxelas, os líderes nacionais discutiram o seu futuro, depois de uma reunião na quinta-feira marcada por confronto com a Polônia, que tentou em vão impedir a reeleição do polonês Donald Tusk como presidente do Conselho Europeu.

"O lema é que estamos unidos, mas unidos na diversidade", declarou a chanceler alemã, Angela Merkel, referindo-se ao objetivo de um texto preparado pelos 27 no contexto da cúpula de Roma, programada para 25 de março.

A delicada preparação desta "Declaração de Roma" ocupou por várias horas os líderes, reunidos sem a primeira-ministra britânica Theresa May, como se tornou habitual para tais reuniões sobre o futuro pós-Brexit.

"É necessário que sejamos capazes de avançar mais rápido em grupos", apoiou o chefe de Estado francês, François Hollande, considerando que a Europa tem "mostrado que não é capaz de tomar decisões no momento certo".

Ele citou a defesa, a zona do euro, a harmonização fiscal e social como questões em que grupos de países devem ser "capazes de ir mais rápido, mais longe, sem fechar a porta a ninguém."

Outros países, como a Bélgica, Luxemburgo e Espanha, também apoiaram este conteito.

- Cortina de ferro - Este cenário não estabelece "uma nova cortina de ferro entre o leste e o oeste", assegurou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. "Não é a intenção", assegurou aos países do leste europeu.

Estes últimos, em particular os membros do grupo de Visegrado - Hungria, República Checa, Eslováquia e Polônia - estão preocupados em tornar-se membros da segunda classe da União.

"Nós nunca iremos aceitar falar de uma Europa a várias velocidades", alertou a primeira-ministra polonesa, Beata Szydlo, dizendo que isso "comprometeria a integridade" da UE.

Szydlo já havia demonstrado seu descontentamento no dia anterior, ao opor-se à recondução de Donald Tusk no cargo de presidente do Conselho Europeu. Mas Tusk foi reeleito por uma esmagadora maioria, de 27 votos contra um. Em retaliação, Varsóvia se recusou a aceitar as conclusões da cúpula, que deveriam pontuar o dia.

Estas conclusões sobre temas variados (imigração, economia, defesa e a situação nos Balcãs Ocidentais), foram, portanto, publicadas em nome do presidente do Conselho Europeu, com o "apoio de 27 Estados membros", sem qualquer impacto sobre a reeleição de Tusk até novembro de 2019.

"O que aconteceu ontem não deve ser uma situação recorrente da UE, com um país que boicota todo nosso trabalho unicamente para questões de política nacional", alertou o primeiro-ministro de Luxemburgo, Xavier Bettel, apelando os líderes poloneses a agir "como adultos".

Para o governo nacionalista e conservador em Varsóvia, que considera Tusk um inimigo político, o voto de quinta-feira é um "perigoso precedente".

- Diktat- "Nós sabemos agora que esta é uma UE sob o diktat de Berlim", reagiu fortemente o ministro das Relações Exteriores polonês, Witold Waszczykowski, ao site wpolityce.pl.

Tusk tentou nesta sexta-feira, ao final dos debates sobre o futuro da Europa reconciliar todas as sensibilidades: "O nosso principal objetivo deve ser o de fortalecer a nossa confiança mútua e a unidade a 27", disse ele.

Juncker enviou, por sua vez, uma mensagem a Londres. "Espero que chegue o dia quando os britânicos vão voltar a subir no barco" europeu, declarou depois de uma discussão sem o Reino Unido.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos