Vídeo contradiz versão oficial sobre morte de jovem negro pela polícia dos EUA

  • Arquivo pessoal/ AP

    Michael Brown foi morto pela polícia de Ferguson, no Estado americano do Missouri, em 2014

    Michael Brown foi morto pela polícia de Ferguson, no Estado americano do Missouri, em 2014

Um novo vídeo de uma câmera de vigilância divulgado recentemente contradiz a versão oficial sobre a morte de Michael Brown, jovem negro desarmado morto pela polícia em Ferguson, centro dos Estados Unidos, em 2014.

A morte do jovem de 18 anos, em 9 de agosto de 2014, gerou protestos no bairro de Saint Louis, Ferguson, contra o abuso da força policial envolvendo a comunidade negra.

Segundo a polícia, Brown roubou uma loja e agrediu um funcionário pouco antes de uma discussão com um policial branco, que o matou.

Mas a nova gravação, exibida na noite deste sábado (11) no documentário "Stranger Fruit", apresentado no festival South by Southwest, sugere que o incidente na loja estaria relacionado a uma suposta negociação de drogas com funcionários do local.

Brown aparece na loja à 1h15 do dia de sua morte e entrega um pequeno pacote aos funcionários, que apalpam e cheiram o conteúdo e entregam a Brown duas caixas de cigarros em uma sacola de plástico.

Antes de sair, Brown pede ao balconista que guarde a sacola atrás do balcão. Dez horas mais tarde, o jovem retorna.

Segundo um vídeo de câmeras de segurança divulgado pela polícia logo após o incidente, ao entrar na loja, Brown aguarda com as mãos para trás, antes de se inclinar sobre o balcão, pegar a sacola e empurrar um funcionário ao deixar o local.

O diretor do documentário, Jason Pollock, considera que o novo vídeo contradiz a versão da polícia. Para o cineasta, Brown é visto entregando um pequeno saco de maconha a um funcionário e recebendo cigarros em troca.

"Havia um acordo, e é o que verão neste vídeo", diz no documentário Lesley McSpadden, mãe de Michael Brown. "Houve uma espécie de troca".

Pollock assinala que isto quer dizer que "Mike não roubou nada da loja".

O advogado da loja e seus funcionários negaram a versão. "Não havia acordo, estas pessoas não trocaram cigarros por erva. O motivo pelo qual ele devolve a sacola antes de sair é porque continha produtos não pagos, e (os funcionários) queriam que ele os devolvesse", disse Jay Kanzler ao jornal "The New York Times".

Ano passado, um policial negro foi designado diretor do corpo policial de Ferguson, após uma investigação federal sobre o uso da força por policiais na cidade.

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