Projeto republicano deixará 14 milhões de americanos sem seguro médico

Washington, 14 Mar 2017 (AFP) - O projeto de reforma do sistema de saúde do presidente Donald Trump deixará no próximo ano 14 milhões de americanos sem seguro médico, segundo previsões do gabinete de análise do orçamento do Congresso (CBO) publicadas nesta segunda-feira.

O relatório adverte que o número de pessoas sem cobertura médica poderá atingir 52 milhões nos EUA em 2026 - o que representa 85% mais que com o plano Obamacare - caso a emblemática lei firmada pelo então presidente Barack Obama seja eliminada.

O projeto de Trump reduzirá em 337 bilhões de dólares o déficit federal na próxima década, o que representa 33,7 bilhões ao ano, mediante o corte de subsídios do Estado, uma contenção de gastos relativa se comparada ao tamanho da economia americana.

As estimativas sobre pessoas sem cobertura médica são muito mais elevadas que as previstas pelos congressistas republicanos moderados, que agora temem um retrocesso brusco no setor de saúde, tendo em conta que desde 2010 a taxa de cidadãos sem cobertura caiu de 16% para 9%.

A oposição democrata exigiu a retirada imediata do plano: "o relatório do CBO revela até que ponto as promessas do presidente são vazias quando afirmam que todo mundo estará coberto e os custos serão reduzidos", declarou o líder da minoria, Chuck Schumer.

"Trumpcare será um pesadelo para os americanos", acrescentou.

O CBO afirma que o número de pessoas sem cobertura médica aumentará, portanto, para 52 milhões, contra os 28 milhões existentes no sistema atual, o Obamacare.

Apesar do elevado número de americanos que perderão a cobertura do sistema de saúde, o titular da Câmara de Representantes, Paul Ryan, apresentou uma visão otimista a partir do relatório do CBO.

"Eu reconheço e aprecio a preocupação quanto ao acesso dos cidadãos americanos ao sistema de saúde", disse ele. "Sob o sistema Obamacare, percebemos como sistemas de saúde controlados pelo poder público não significam acesso ao cuidado à saúde, e agora a lei está em colapso".

"Quando as pessoas têm a opção de escolher, os preços baixam", concluiu Ryan.

O secretário de Saúde, Tom Price, denunciou que a avaliação do CBO não contempla as fases da reforma proposta pelo novo governo.

Trump tem multiplicado seus esforços para defender seu projeto e denunciar que a atual legislação é um "desastre".

"A imprensa transmite uma imagem muito positiva do Obamacare (...), mas a lei está implodindo e em 2017 será ainda pior", declarou o presidente em debate público, afirmando que o custo dos seguros de saúde privados tem aumentado para a classe média.

Os promotores da reforma defendem que o consumidor possa escolher o seguro que mais lhe convenha no futuro sistema, o que reduziria os preços com a lei da oferta e procura.

O projeto era muito aguardado, uma vez que a reforma enfrenta a oposição da ala moderada e ultraconservadora do Partido Republicano.

Devido às eleições legislativas que acontecerão no próximo ano, alguns legisladores republicanos estão preocupados por uma retirada precoce do Estado federal e pelo fato de que milhões de americanos sem condições financeiras ou de classe média possam ficar sem acesso ao sistema de saúde.

Os líderes republicanos sabem que se o projeto de Trump fracassar as consequências serão nefastas, porque a derrubada do Obamacare foi sua primeira aposta política para simbolizar a volta do partido ao poder.

Na semana passada, Trump teria previsto que se o chamado American Health Care Act não passar, haverá um "banho de sangue" durante as eleições legislativas de meio de mandato, em novembro de 2018.

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