Candidato da direita à presidência francesa é indiciado

Paris, 14 Mar 2017 (AFP) - O candidato da direita francesa à presidência, François Fillon, foi indiciado nesta terça-feira por desvio de fundos públicos, como parte da investigação sobre empregos fictícios de sua esposa e filhos, a menos de seis semanas do primeiro turno da eleição.

O ex-primeiro-ministro havia anunciado ter sido convocado por três juízes responsáveis pelo caso.

Mas a convocação ante a justiça aconteceu 24 horas antes do previamente anunciado.

"O indiciamento aconteceu esta manhã. A audiência foi antecipada para que acontecesse em condições mais calmas", declarou o advogado do candidato conservador, Antonin Levy, à AFP.

François Fillon foi indiciado por "desvio de fundos públicos, ocultação e cumplicidade no abuso de bes sociais" e "por violar as obrigações junto a Autoridade para a Transparência da Vida Pública", confirmou à AFP uma fonte da justiça.

Os juízes estimaram que existe "indícios graves e concordantes" após várias semanas de audiências e buscas provocadas pelas suspeitas de supostos empregos fictícios que teriam beneficiado sua esposa Penelope e dois de seus filhos como assistentes parlamentares quando ele era deputado.

Penelope, de 62 anos, deverá comparecer ante a justiça no dia 28 de março.

François Fillon, de 63 anos, afirmou em várias ocasiões que este indiciamento - que acontece faltando apenas três dias para o fim do prazo de apresentação dos candidatos à eleição presidencial - não o tiraria da corrida, voltando atrás em uma promessa feita inicialmente.

Esta é a primeira vez que um candidato de expressão indiciado se apresenta à eleição presidencial francesa.

Apesar de o emprego de parentes não ser ilegal na Franca, os investigadores têm dúvidas sobre o trabalho exercido por sua esposa e filhos, que receberam no total cerca de 1 milhão de euros brutos de fundos públicos.

Além disso, na segunda-feira, o jornal Le Parisien revelou que os dois filhos do candidato, Marie e Charles, que ele havia empregado como assistentes parlamentares entre 2005 e 2007, entregaram parte de seus salários aos pais.

Desta forma, dos 46.000 euros pagos à sua filha, de outubro de 2005 a dezembro de 2006, cerca de 33.000 seguiu para uma conta conjunta de seus pais, afirma o veículo.

Já Charles, que ocupou igualmente o cargo de assistente parlamentar entre janeiro e junho de 2008, recebendo 4.846 euros brutos mensais, entregou aos pais cerca de "30%" do seu salário líquido.

Os advogados de Marie e de François Fillon justificaram a manobra, afirmando se tratar de "reembolsos" aos pais.

Até janeiro, Fillon era o principal candidato nas pesquisas, mas depois que o caso veio à tona caiu para a terceira posição, superado pelo centrista Emmanuel Macron e pela líder da extrema-direita Marine Le Pen.

Denunciando uma "perseguição", Fillon continua a fazer campanha, tentando atrair as atenção para o seu programa político.

Ele enfrenta outra grande dificuldade, a deserção de vários membros de sua campanha, incluindo de seu porta-voz e diretor. Sua campanha chegou a ser duramente questionada por seu próprio campo.

Por fim, seu partido Les Républicains, acabou por reiterar um apoio claro na semana passada.

Creditado com 20% das intenções de voto, atrás de Marine Le Pen (27% e Emmanuel Macron (24%), ele seria eliminado logo no primeiro turno.

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