François Fillon indiciado a 40 dias das eleições na França

Paris, 14 Mar 2017 (AFP) - François Fillon, o candidato conservador à presidência francesa, foi indiciado nesta terça-feira em um caso de empregos fictícios, o que complica ainda mais sua campanha marcada por diversos escândalos, e a apenas 40 dias das eleições.

A candidatura de Fillon, até então favorito à presidência, se desequilibrou desde que, em janeiro, a imprensa revelou que sua esposa, Penelope, e dois de seus filhos receberam cerca de um milhão de euros como assistentes parlamentares.

Embora isso seja legal na França, os investigadores do gabinete contra a corrupção têm dúvidas sobre o trabalho efetivo realizado pelos três membros de sua família.

Os juízes que investigam o caso indiciaram Fillon um dia antes do previsto por desvio de fundos públicos, informou à AFP uma fonte da justiça.

"A audiência foi antecipada para que acontecesse em condições mais calmas", explicou Antonin Levy, advogado do ex-primeiro-ministro.

Fillon, que assegura ter respeitado a lei, se negou a responder as perguntas dos juízes, mas leu uma declaração em que reitera que o emprego de sua esposa e de seus filhos "não foi fictício".

Corrida contra o relógioSeu indiciamento ocorre em um momento difícil, quando faltam apenas 72 horas para o encerramento do prazo de apresentação das assinaturas necessárias para formalizar as candidaturas às eleições presidenciais.

Depois de 17 de março não haverá chance de seu partido, Les Républicains, apresentar um candidato alternativo.

As pesquisas apontam que Fillon - grande favorito até a explosão do chamado caso "Penelopegate" - perderá no primeiro turno. Entretanto, ele não é o único candidato que enfrenta problemas com a Justiça.

Marine Le Pen, que comanda a extrema direita francesa e lidera as pesquisas no primeiro turno, também é alvo de uma investigação por empregos fictícios no Parlamento Europeu.

A presidente do Frente Nacional, no entanto, se nega a depor antes das eleições.

Ainda nesse sentido, o nome de Emmanuel Macron, ex-ministro da Economia de François Hollande, em segundo lugar nas pesquisas, apareceu nesta terça-feira em uma investigação preliminar por suposto favoritismo em uma viagem ministerial.

"Complô"François Fillon, que denuncia um "complô" para retirá-lo da disputa presidencial, assinalou há algumas semanas que continuará participando das eleições, mesmo que fosse indiciado, contradizendo o compromisso firmado quando o escândalo veio à tona.

Os juízes também investigam o dinheiro recebido por Penelope Fillon por atividades na Revue des Deux Mondes, uma publicação literária propriedade de um empresário próximo de seu marido.

Entre maio de 2012 e dezembro de 2013 - paralelamente a suas atividades na Assembleia Nacional - Penelope Fillon cobrou 3.500 euros por mês por esta colaboração, embora em um ano e meio a revista tenha publicado apenas dois artigos com sua assinatura.

A essas acusações somam-se novas revelações da imprensa sobre os caros presentes para patrocinadores amigos de Fillon, incluindo dois ternos de uma elegante alfaiataria de Paris, que custaram 6.500 euros cada um, dados a um "amigo generoso".

Fillon, de 63 anos, ganhou as primárias de centro-direita apresentado-se como "o candidato da honestidade" contra e ex-presidente Nicolas Sarkozy, envolvido em vários casos na Justiça, e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé, condenado pela Justiça em 2004 por um caso de empregos fictícios.

Se Fillon ganhar as eleições, terá direito, por lei, a uma imunidade total que impede qualquer processo contra ele. Nesse caso, os investigadores poderiam continuar averiguando apenaso que se refere a outros envolvidos.

Sua esposa deverá comparecer diante dos juízes em 28 de março e também pode ser indiciada.

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