Governo líbio reconhecido pela ONU ganha terreno após três dias de combates

Trípoli, 16 Mar 2017 (AFP) - As forças leais ao Governo de União Nacional (GNA) líbio, reconhecido pelas Nações Unidas, ganharam terreno em Trípoli com a expulsão nesta quarta-feira de grupos rivais de seus redutos, no terceiro dia de violentos combates que paralisaram a cidade.

A capital líbia, em estado de insegurança permanente desde a queda de Muanmar Khadafi, em 2011, se encontra sob o domínio de dezenas de milícias distintas.

Desde sua entrada em funções, em 2016, o GNA conseguiu o apoio de algumas delas, mas vários setores de Trípoli ainda estão fora de seu controle.

As forças leais ao governo de união conseguiram nesta quarta-feira expulsar os grupos armados de seu quartel-general, situado no sul da cidade, depois de horas de violentos combates, principalmente com armamento pesado, segundo uma testemunha e uma fonte de segurança.

Na terça-feira lançaram o ataque ao complexo de uma dezena de residências de luxo, que serve de sede às milícias fiéis ao antigo líder de um governo não reconhecido, Khalifa Ghweil, afastado do poder em Trípoli após a formação do GNA.

"As forças de Ghweil foram embora e as forças do GNA tomaram o controle do setor", indicou nesta quarta-feira à AFP uma testemunha no local, que falava de "importantes danos nos edifícios".

Segundo fontes próximas a Ghweil, ele ficou ferido no ataque, mas está fora de perigo.

Khalifa Ghweil, que rejeita o GNA, está apoiado por milícias de sua cidade natal de Misrata (oeste), assim como por outros grupos em Trípoli, baseados sobretudo no sul da capital.

- Fracasso lamentável -Trípoli estava paralisada nesta quarta-feira pelos combates, que entravam em seu terceiro dia consecutivo.

O hospital al Jadhra, situado perto dos confrontos, foi atingido por um foguete, sem deixar vítimas, segundo um enfermeiro da instituição.

A sede da rede de televisão privada Al-Nabaa, conhecida por sua orientação islamita, foi atacada por desconhecidos na madrugada desta quarta-feira, provocando um princípio de incêndio e a suspensão da transmissão, segundo testemunhas.

Na manhã desta quarta, os programas da rede de televisão seguiam interrompidos.

Os combates começaram na noite de segunda-feira nos bairros residenciais e comerciais de Hay al Andalus e Gargaresh, no oeste da capital, e na terça-feira foram registrados mais confrontos neste setor.

A direção da polícia de Trípoli, que depende do ministério do Interior do GNA, anunciou nesta quarta-feira em um comunicado que "as operações de segurança e militares em Trípoli" eram dirigidas contra "grupos de delinquentes que desestabilizavam a segurança e incitavam o caos".

"Era nosso dever erradicá-los e combatê-los para estabilizar a capital", acrescentou a polícia.

Este golpe de força do GNA coincide com uma ofensiva realizada na terça-feira, mais de 700 km a leste de Trípoli, pelas forças leais ao marechal Khalifa Haftar, o homem forte das autoridades paralelas, com sede no leste do país, e que nega a legitimidade do governo de união.

Segundo Mohamed Eljareh, pesquisador do Atlantic Council, "o que acontece em Trípoli se deve ao fracasso lamentável dos acordos de segurança do Acordo Político Líbio negociado pela ONU" em 2015 que levou ao nascimento do GNA.

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