ETA quer entregar armas e governo basco pede ajuda a Madri e Paris

Madri, 17 Mar 2017 (AFP) - O presidente regional basco, Íñigo Urkullu, confirmou nesta sexta-feira que está sendo discutido um desarmamento definitivo do grupo separatista ETA em um curto prazo e pediu ajuda aos governos espanhol e francês para concluir esse processo.

Segundo ele, o objetivo é o desarmamento definitivo do ETA "de caráter unilateral, irreversível, completo e legal".

"O governo basco solicita ao governo espanhol e francês canais de comunicação diretos (...) centrados no êxito de um objetivo de valor histórico para nossa sociedade", declarou.

Uma fonte ligada às negociações afirmou nesta sexta que a organização separatista armada basca tem a intenção de desarmar-se por completo até o dia 8 de abril.

Segundo a fonte, o ETA dará passos concretos antes dessa data, como entregar a localização dos esconderijos das armas.

"Há uma iniciativa concreta que tem data marcada para 8 de abril", indicou a fonte.

Até então, o desarmamento tem de ser completado, acrescentou.

A fonte confirmou assim as declarações ao jornal basco Gara feitas por Txetx Etcheverry, militante da organização basca Bizi, que disse que, "se possível, o desarmamento será feito antes das eleições presidenciais francesas" (23 de abril e 7 de maio).

"O ETA nos confiou a responsabilidade do desmantelamento de seu arsenal e, na noite de 8 de abril, o ETA estará totalmente desarmado", acrescentou Etcheverry falando ao jornal Le Monde.

Antes dessa data, o ETA tem a intenção de indicar os esconderijos das armas (em princípio, na França), para que o desarmamento possa ser completado, indicou a fonte ligada ao processo.

"Existe um plano concreto com datas determinadas para que o ETA deixe de ser uma organização armada", confirmou, por sua vez, Arnaldo Otegi, líder do partido separatista basco EH-Bildu.

"Esperamos que desta vez o processo de desarmamento serja total e que seja levado até o final de suas últimas consequência", afirmou.

O desarmamento do ETA, considerado uma organização terrorista pela União Europeia, é uma das exigências feiltas pelos governos da Espanha e da França.

O porta-voz do Executivo espanhol, Íñigo Méndez de Vigo, não quis comentar o anúncio, limitando-se a recordar a posição de seu governo.

"O ETA tem de fazer duas coisas, que são desarmar-se e dissolver-se", enfatizou.

Até agora, a organização havia se negado a depor armas e se dissolver, principalmente por causa de uma exigência de negociar com Paris e Madri a questão de seus presos.

Atualmente, restam 350 homens presos nos dois países.

Os dois governos se negaram, por sua vez, a negociar, mencionando reiteradas vezes a necessidade de dissolver e desarmar a organização, fundada há mais de 50 anos.

O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, reagiu ao anúncio inesperado, pedindo que o ETA se dissolva.

Falando em um comício de seu Partido Popular em Madri, Rajoy afirmou que "o governo da Espanha fará o que sempre faz, aplicar a lei para todos".

"O ETA decidiu, assim disse, desarmar-se unilateralmente. Que o faça, e, aproveitando, se dissolva", acrescentou.

Nos últimos meses, as forças francesas e espanholas desmantelaram vários esconderijos de armas.

O País Basco e Navarra foram o epicentro da violência desse grupo separatista, a quem se atribuiu a morte de ao menos 829 pessoas em 40 anos, incluindo inúmeros policiais e guardas civis, seu principal objetivo.

O grupo armado renunciou definitivamente à violência em 20 de outubro de 2011, depois de quatro décadas de luta armada pela independência do País Basco. Além das mortes, é acusado da realização de sequestros e campanhas de extorsão de empresários.

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