EUA conseguem que G20 retire de comunicado mudanças climáticas e protecionismo

Baden-Baden, Alemanha, 18 Mar 2017 (AFP) - Os Estados Unidos conseguiram neste sábado que uma reunião ministerial do G20 omitisse em sua declaração final o protecionismo e a luta contra as mudanças climáticas, e também advertiram seus sócios de que estão dispostos a renegociar seus compromissos dentro da OMC.

"Trabalhamos para reforçar a contribuição do comércio para as nossas economias", se limita a afirmar a declaração negociada trabalhosamente na cúpula do G20 das Finanças, que ocorreu na sexta-feira e neste sábado em Baden-Baden, e reuniu os ministros das Finanças das grandes economias e das principais nações emergentes do mundo.

A tradicional condenação ao protecionismo econômico desaparece, desta vez, do comunicado final de cinco páginas.

"A linguagem histórica [do G20 em seus comunicados] não era pertinente, e o que é pertinente é que concordamos como grupo: aumentar a contribuição do comércio para as nossas economias (...)", comentou o novo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, em coletiva de imprensa ao fim da reunião.

Em seguida, fez um aviso importante.

"Algumas partes da OMC não são aplicadas, e vamos tentar com combatividade que sejam aplicadas em favor do interesse dos trabalhadores americanos", disse.

A OMC nasceu em 1994 em Genebra e é o fórum onde diferenças comerciais entre nações são debatidas, mediante painéis de especialistas que podem levar anos para ditar sentenças.

"Queremos reexaminar alguns acordos, falamos de reexaminar o Nafta (dos Estados Unidos com México e Canadá)", recordou Mnuchin.

A OMC, com 164 países, é também o fórum onde a comunidade internacional tenta, com enormes dificuldades, fazer avançar grandes rodadas de liberalização do comércio, eliminando tarifas e subsídios em todos os setores.

O governo de Donald Trump fez do nacionalismo econômico sua principal bandeira.

"Não me cabe"O comunicado do G20 das Finanças também não menciona o grande pacto de luta contra as mudanças climáticas, o Acordo de Paris de 2015.

Mnuchin, questionado sobre o tema em coletiva de imprensa, se limitou a dizer: "não cabe a mim".

O texto final desta reunião resume "uma divergência entre um país e os demais", resumiu o ministro francês das Finanças, Michel Sapin.

O governo americano de Donald Trump está "em fase de adaptação" ao G20, declarou a chefe do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde.

Evitar fissuras aparentesA Alemanha, que preside neste ano o G20, quer evitar qualquer confronto ou fissura que seja muito aparente, e tentou minimizar estas rupturas com a doutrina do G20.

"Os americanos não estão isolados. O papel da presidência [do G20] é reunir, não isolar", declarou durante a coletiva final o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble.

De forma geral, os participantes destacaram que o crescimento da economia mundial está progredindo.

Nos demais temas recorrentes neste tipo de cúpula, como a luta contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, assim como o esforço contra a otimização fiscal, houve consenso, na linha dos comunicados habituais do grupo.

O mesmo ocorreu com o tema das taxas de câmbio das moedas, algo sensível após as recentes declarações de Washington sobre a divisa chinesa e a europeia.

Entre os novos temas, o G20 também expressou sua preocupação com as possíveis consequências da cibercriminalidade nos sistemas financeiros internacionais e pediu ao Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) uma implementação de normas e práticas a esse respeito.

Encontro em julhoDiante das divergências dos Estados Unidos sobre comércio e clima, a responsabilidade de encontrar uma solução - ou confirmar uma ruptura - ficou a cargo dos chefes de Estado e de governo do G20 que se reunirão em julho, em Hamburgo.

"A luta contra as mudanças climáticas requer a mobilização do conjunto dos países do G20, inclusive na questão do financiamento. Estou certo de que os chefes de Estado e de governo reafirmarão em julho o pleno compromisso da comunidade internacional com o Acordo de Paris", declarou o ministro Sapin.

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