Social-democrata Schulz apresenta na Alemanha plano anti-Merkel

Berlim, 19 Mar 2017 (AFP) - Angela Merkel parecia inabalável há poucos meses, mas a chanceler alemã agora é ameaçada por seu adversário social-democrata, Martin Schulz, que lança neste domingo sua campanha para retirá-la do poder.

Em um congresso extraordinário do SPD em Berlim, Schulz assumirá de forma oficial as rédeas do partido social-democrata e explicará seu plano de batalha para as eleições legislativas de setembro.

Schulz, de 61 anos, ex-presidente do Parlamento Europeu, será empossado neste domingo como presidente do SPD, sucedendo no cargo o atual vice-chanceler e ministro das Relações Exteriores alemão, Sigmar Gabriel.

Segundo a imprensa alemã, pode obter mais de 90% dos votos e se aproximar de um recorde de 1948 (99,71%). Em dezembro de 2015, Gabriel obteve 74,3%.

- De vento em popa nas pesquisas -Desde que foi designado como candidato do SPD à chancelaria (liderança do governo) nas eleições legislativas de 24 de setembro, as pesquisas são animadoras para Martin Schulz diante de uma Angela Merkel que busca com os conservadores um quarto mandato.

Nacionalmente, o partido de Schulz está empatado com o da chanceler, próximo aos 30%.

Além disso, o responsável social-democrata recebeu neste domingo um importante aval do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que mantém relações complicadas com Angela Merkel, embora seja de centro-direita.

"Tanto Martin Schulz quanto Angela Merkel têm as qualidades para ser chanceler", disse neste domingo ao jornal Bild.

A chanceler se mostra serena. "A concorrência é estimulante", afirmou na sexta-feira, apesar de uma pessoa próxima afirmar, em particular, que "a situação é difícil".

A hipótese de uma derrota de Merkel, junto com as críticas à chegada de mais de um milhão de refugiados à Alemanha, parecia inimaginável há poucos meses. O SPD, sócio minoritário na coalizão dos conservadores em nível federal, ficava próximo aos 20% de intenção de votos.

- "Robin Hood" -Mas a decisão de Schulz de deixar o Parlamento Europeu, onde ficou por cinco anos, e fazer campanha no lugar de Sigmar Gabriel, pouco popular, mudou a situação.

Considerado um ótimo orador, Schulz nunca ocupou nenhum cargo de importância na Alemanha. Isso faz com que ele não endosse a política do governo, na qual seu próprio partido participa na coalizão, e se apresente como um homem novo.

Sua história de vida e origens modestas, junto com um discurso de esquerda, lhe dão uma aura popular que suaviza seu perfil "de Bruxelas", uma incontestável vantagem num momento em que o euroceticismo ganha adeptos na Europa.

"Minha intenção de aplicar políticas que tornem um pouco melhores as condições de vida das pessoas que trabalham duro encontra bastante apoio", disse nesta semana Schulz, que quer continuar as reformas no mercado de trabalho feitas pelo ex-chanceler do SPD Gerhard Schröder entre 2003 e 2005.

Essas reformas permitiram à Alemanha diminuir o desemprego a um nível historicamente baixo, embora tenha criado uma geração de "trabalhadores pobres" e precários.

A esquerda radical não descarta uma eventual coalizão com o SPD depois das eleições. Os conservadores e a classe patronal falam em "populismo".

Essa guinada à esquerda valeu a Martin Schulz o apelido dado pela imprensa alemã de "Robin Hood do SPD".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos