Escândalo fecha mercados às carnes do Brasil

Brasília, 20 Mar 2017 (AFP) - O Brasil sofreu nesta segunda-feira medidas comerciais pelo escândalo causado por supostas adulterações na carne para consumo humano, depois que China e Chile fecharam seus mercados e que a União Europeia (UE) impôs restrições.

O caso atinge em cheio dois gigantes do setor, JBS e BRF, que buscam tranquilizar os consumidores e limitar suas perdas na Bolsa, enquanto o governo tenta limitar as consequências para um setor-chave da economia, em recessão desde 2015.

Esta semana, as más notícias começaram com o anúncio de que a China resolveu conter a entrada de carne brasileira à espera de explicações detalhadas sobre o caso. O Brasil é o maior exportador mundial do produto e a China seu segundo cliente de carne de boi e de frango.

"Até receber as informações, a China não desembarcará as carnes importadas do Brasil. Hoje à noite, o ministro terá uma videoconferência com autoridades chinesas para prestar esclarecimentos", diz nota publicada no site do Ministério da Agricultura.

Pouco depois, o Chile -sexto importador de carne vermelha brasileira- também decretou uma suspensão temporária.

"O fechamento do mercado brasileiro é temporário, até que informem se [entre os estabelecimentos suspeitos] há frigoríficos autorizados para exportar para o Chile", explicou no Twitter o ministro chileno da Agricultura, Carlos Furche.

De acordo com veículos de mídia, a Coreia do Sul também teria suspendido a importação de carne de frango, mas o Ministério da Agricultura afirmou que a China foi o único país a emitir um comunicado oficial sobre suspensão.

- Carne Fraca -A União Europeia (UE), por sua vez, pediu ao Brasil "que elimine de imediato todos os estabelecimentos envolvidos no escândalo da lista aprovada pela UE", informou aos jornalistas o porta-voz da Comissão Europeia, Enrico Brivio.

Dos 21 frigoríficos envolvidos no escândalo da "Carne Fraca", quatro tinham permissão de exportar para os 28 países do bloco europeu.

A questão da carne é um dos temas sensíveis nas negociações entre o bloco europeu, por um lado, e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), do outro, para alcançar um acordo comercial cujas primeiras conversações remontam a 1999 e foram retomadas em 2010 depois de um intervalo de vários anos.

A Polícia Federal (PF) revelou na sexta-feira um esquema em que fiscais sanitários supostamente recebiam subornos dos frigoríficos para autorizar a venda de alimentos não aptos para o consumo. Mais de 30 pessoas foram detidas até o momento, três frigoríficos foram fechados temporariamente e 21 se encontram sob investigação.

O governo tentar limitar o impacto do escândalo e questiona parte das denúncias da PF sobre a venda de produtos vencidos ou em mal estado, "maquiados" com ácidos. Segundo os dados apresentados, dos 4.837 frigoríferos que operam no país, somente 21 estão sob suspeita e apenas seis exportara nos últimos 60 dias.

No domingo, o presidente Michel Temer afirmou que o modo como a notícia foi dada pode ter gerado grande preocupação nos países importadores de carne e nos consumidores brasileiros e após reunir-se com um grupo de diplomatas de países importadores os convidou para comer em uma churrascaria de Brasília.

- Concorrência -A produção de carne é um dos pilares do setor primário brasileiro: em 2016, as exportações de carne de frango superaram os 5,9 bilhões de dólares e as de carne bovina chegaram a 4,3 bilhões, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC).

As exportações para a China totalizaram 859,5 milhões de dólares em carne de frando e 702,7 milhões em carne bovina e só foram superadas pelas compras da Arábia Saudita e Hong Kong, respectivamente, segundo o MDIC.

O setor frigorífico e os exportadores de carnes alertaram que colocar em xeque a qualidade dos produtos brasileiros favorecerá a concorrência.

"Denegrir a qualidade da proteína do principal exportador global só interessa aos produtores de mercados concorrentes", afirmaram a Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) em anúncio publicado nos maiores jornais do país.

"Eventuais restrições à importação de carne brasileira, além de representarem um retrocesso de muitos anos, impactarão na economia e resultarão em um perda de empregos e renda. O setor de proteínas emprega mais de 7 milhões de pessoas e representa 15% das exportações brasileiras", advertiram.

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