Um mês para convencer os indecisos e definir a eleição francesa

Paris, 22 Mar 2017 (AFP) - A um mês do primeiro turno das eleições presidenciais na França, a ultradireitista Marine Le Pen e o centrista Emmanuel Macron aparecem como os favoritos, mas os indecisos, que alcançam cifras recorde, podem surpreender.

Le Pen, impulsionada pelo Brexit e pela eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, lidera as intenções de voto com 26% no primeiro turno, seguida de perto por Macron, um jovem ex-ministro de 39 anos, revelação desta campanha.

Este aspirante independente, que rechaça os rótulos de direita e esquerda, ultrapassou o conservador François Fillon, que perdeu sua condição de favorito ao ser atingido pelo caso de empregos fantasmas, pelo qual foi indiciado na semana passada.

O ponto-chave desta eleição de dois turnos, que ocorrerão em 23 de abril e em 7 de maio, está na alta porcentagem de eleitores que decidirão seus votos nas últimas semanas, concordam analistas.

A pouco mais de um mês da votação, cerca de 40% dos eleitores não sabem em que irão votar no primeiro turno, um nível recorde para uma eleição presidencial francesa, segundo pesquisa Cevipof.

"Os franceses estão profundamente insatisfeitos com a maneira que estão desenvolvendo a campanha presidencial, totalmente manchada pelos escândalos judiciais", explica à AFP Jean-Daniel Lévy, do instituto de pesquisas Harris Interactive.

"Os eleitores esperam saber exatamente o que os candidatos propõem. Nunca até hoje, um candidato presidencial como Emmanuel Macron tinha sido tão pouco identificado, nunca nenhum figura política como François Fillon havia enfrentado tantas polêmicas sobre sua relação com o dinheiro, e nunca Marine Le Pen esteve tão bem cotada nas pesquisas", detalha Lévy.

- Debates de fundo -Os cinco principais aspirantes à presidência da França - Fillon, o socialista Benoît Hamon, o esquerdista radical Jean-Luc Mélenchon, Marine Le Pen e Macron - se enfrentaram na segunda-feira à noite em um debate televisionado que marcou o início da campanha.

Mais de 10 milhões de espectadores viram durante mais de três horas um acalorado debate que tratou de temas como segurança, imigração, laicidade e islamismo.

"A campanha realmente começou, porque no fim falamos sobre temas de fundo e os candidatos puderam detalhar suas propostas", comemorou nesta terça-feira Bruno Retailleu, coordenador da campanha de Fillon.

Fillon, que se apresenta às eleições após ser indiciado por desvio de fundos públicos, conseguiu impulsionar sua abatida campanha ao focar no programa de forte corte liberal com o qual alcançou a vitória nas primárias da direita em novembro.

"Quero ser o presidente que libertará os franceses do excesso de burocracia", declarou Fillon, prometendo fazer da França a primeira economia da Europa em dez anos.

Fillon não é o único candidato dos onze que se apresentam para esta eleição que tem problemas com a justiça.

Le Pen também é investigada por empregos supostamente fictícios de seu guarda-costas e de sua secretária pessoal no Parlamento Europeu, onde é deputada.

Não obstante, as pesquisas mostram que estes casos não lhe custaram uma perda substancial de apoio, diferentemente de Fillon.

A investigação sobre possíveis empregos fantasmas contra ela foi ampliada nesta terça-feira para "fraude agravada e falsificação de documentos", indicou uma fonte judicial.

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