Chefe do Eurogrupo descarta 'demissão' por tensão com países do sul

Bruxelas, 22 Mar 2017 (AFP) - "Racistas", sexistas" e "infelizes". Os países do sul da Europa aumentaram, nesta quarta-feira, seus ataques ao presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, que descartou se "demitir" após declarações que deram a entender que os países do sul gastaram seu dinheiro com "bebidas e mulheres".

"Não tenho a intenção de me demitir" e "lamento se alguém se sentiu ofendido com as declarações", explicou à AFP Dijsselbloem, que responsabilizou o "mal-entendido" à sua maneira "direta" de falar, herança da "cultura calvinista holandesa".

A polêmica ocorre depois que o também ministro holandês das Finanças ter sido questionado sobre sua continuidade à frente do Eurogrupo por causa da derrota de seu partido trabalhista nas eleições legislativas do país.

Em uma longa entrevista publicada na segunda-feira no jornal alemão Frankfurter Allgemeine, Dijsselbloem afirma que "na crise do euro, os países do norte da zona do euro se mostraram solidários com os países em crise".

"Para mim, social-democrata, acho que a solidariedade é muito importante. Mas quem reclama também tem deveres. Eu não posso gastar todo meu dinheiro em schnaps [um tipo de bebida alcoólica] e mulheres e continuar pedindo ajuda", acrescentou.

Esta metáfora não foi bem recebida pelos países do sul da Europa, mais castigados pela consequências do crash financeiro de 2008 e que se viram obrigados a adotar medidas de austeridade.

Seu antecessor no cargo até 2013, o atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, tentou durante a tarde suavizar o tom dos comentários, assegurando que "não refletem a maneira de pensar" de Dijsselbloem.

Segundo o ministro holandês, suas declarações se dirigiam a todos os países do euro e não apenas aos do sul. "Acho que devemos ser claros, todos devemos fazer o melhor e respeitar as regras pelo futuro da união monetária e do Eurogrupo".

Atenas criticou as observações "sexistas" de Dijsselbloem que "adotam os estereótipos que aumentam e espaço entre [os países europeus] do norte e do sul", de acordo com seu porta-voz, Dimitris Tzanakopoulos.

"A Europa só será crível como projeto comum no dia em que o senhor Dijsselbloem não for presidente do Eurogrupo", apontou o primeiro-ministro português, Antonio Costa, que qualificou suas palavras de "racistas". O ex-primeiro-ministro italiano Matteo Renzi também pediu sua demissão.

O próprio presidente da Eurocâmara, o italiano Antonio Tajani, denunciou as "racistas e sexistas" palavras do presidente do Eurogrupo. "É inaceitável, sobretudo quando temos um papel importante a desempenhar", assegurou em declarações à AFP.

Apesar das críticas de muitos países, o holandês parece ainda manter o apoio da primeira economia da zona do euro, a Alemanha. A porta-voz do ministro das Finanças Wolfgang Schäuble elogiou seu trabalho e mostrou o desejo de que continue "durante as próximas reuniões, enquanto seu governo estiver no cargo".

Esta polêmica poderia minar suas chances de continuar no cargo após completar seu mandato, apesar de não ser mais o ministro das Finanças. Depois da reunião deste grupo em Bruxelas na segunda-feira, Dijsselbloem colocou seu futuro nas mãos de seus contrapartes, entre eles os do sul da Europa.

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