Coalizão contra EI discute suas divergências em Washington

Washington, 22 Mar 2017 (AFP) - Os 68 países que combatem o grupo Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria se reúnem nesta quarta-feira em Washington, mas o encontro da coalizão se vê manchado por um bombardeio que deixou centenas de civis mortos próximo a Raqqa, na Síria.

O encontro representa um batismo de fogo para o discreto secretário de Estado americano, Rex Tillerson, que recebe dezenas de contrapartes estrangeiros, alguns inquietos pelo risco de unilateralismo do governo do presidente Donald Trump.

O presidente americano, eleito com um programa de política exterior isolacionista, pretende aumentar o orçamento da Defesa em 10%, contra uma diminuição de 28% nos recursos da diplomacia, e pediu ao Pentágono um plano destinado a destruir o grupo EI e "erradicar do planeta este inimigo abominável".

Nesse sentido, Tillerson reafirmou nesta quarta-feira que "o grande consenso entre todos nós que nos reunimos hoje é o compromisso de derrubar uma diabólica força global, e dou ênfase à palavra compromisso".

No início da reunião em Washington, o secretário de Estado disse que é inevitável a morte do líder do grupo Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi.

"Quase todos os colaboradores de Abu Bakr al-Baghdadi estão mortos, incluindo o cérebro dos ataques de Paris, Bruxelas e outros lugares", indicou.

"É apenas questão de tempo que Al-Baghdadi tenha o mesmo destino", acrescentou.

A reunião corre o risco de ser dominada pela morte de ao menos 33 civis perto de Raqqa, capital de fato do EI, em um ataque supostamente planejado por esta coalizão contra uma escola onde se refugiavam pessoas deslocadas.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), a coalizão internacional comandada pelos Estados Unidos matou 33 civis na manhã de terça-feira no sul de Al-Mansora, cidade tomada pelo EI.

Coalizão anuncia investigaçãoNesta quarta-feria, a coalizão informou que iniciará uma investigação sobre o ataque aos civis.

"Como realizamos vários ataques próximos a Raqqa, forneceremos estas informações a nossa equipe que investiga as vítimas civis", disse um porta-voz militar americano.

Ao receber na segunda-feira na Casa Branca o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, Trump reafirmou sua determinação de se "livrar" desta organização sunita ultrarradical e elogiou os progressos das forças de Bagdá para retomar Mossul, segunda cidade do Iraque.

Al-Abadi pediu que a ajuda americana "acelere".

As forças iraquianas, apoiadas pela coalizão internacional anti-extremista, lançaram em 17 de outubro a ofensiva para retomar Mossul, último grande reduto do EI no Iraque. Após reconquistar no fim de janeiro os bairros do leste, os militares conduzem desde 19 de fevereiro uma operação na parte oeste da cidade.

O Pentágono estima que a vitória em Mossul seja inevitável, embora combates intensos ainda sejam previstos nessa cidade.

Como e por quem?Enquanto isso, na Síria, Raqqa se encontra quase isolada do mundo e as principais vias de comunicação foram dominadas pelas forças curdo-árabes, aliadas da coalizão.

Os militares americanos acreditam que os extremistas já não poderão controlar mais do que Deir Ezzor, seu último reduto no Vale do Eufrates.

O Pentágono estima que o EI tenha perdido 65% dos territórios que tinha durante seu apogeu, em 2014.

No entanto, a coalizão se mostra enfraquecida pelas divergências entre alguns países sobre a estratégia de continuar tanto em Raqqa como em Mossul.

Estados Unidos e Turquia não concordam sobre quais forças devem conduzir a ação final em Raqqa.

Ancara não quer que as milícias curdas YPG, consideradas pelos turcos um grupo "terrorista", participem. Entretanto, essas milícias são importantes na coalizão árabe-curda das Forças Democráticas Sírias, que o Pentágono considera serem as melhores para retomar Raqqa rapidamente.

Uma opção seria equipar as forças curdas com armas pesadas. Outra, mais aceita pela Turquia, seria enviar reforços americanos para apoiá-las.

O Pentágono tem a intenção de enviar mil soldados suplementares para a Síria, duplicando a força de 850 militares americanos neste país devastado pela guerra desde março de 2011.

A coalizão deve responder à pergunta sobre o futuro status dos territórios libertos na Síria: autonomia de uma forma ou de outra ou retornar para as mãos do governo sírio.

Revitalizadas pelo apoio militar russo desde setembro de 2015, as forças sírias progrediram no norte do país e estão muito perto de Manbij, cidade liberta pelos curdos.

Do lado francês, uma autoridade diplomática disse esperar "as respostas" de Washington sobre "como e por quem" Raqqa deverá ser retomada.

A ofensiva em Mossul, que terminará no meio do ano, também causa discordâncias entre os aliados.

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