Poucas esperanças em nova rodada de negociações sobre a Síria

Beirute, 22 Mar 2017 (AFP) - A quinta rodada de negociações para acabar com a guerra na Síria começa na quinta-feira em Genebra, com apoio da ONU, mas levanta poucas esperanças dada a inflexibilidade do regime e da oposição.

A última rodada de negociações, em fevereiro, estabeleceu uma agenda clara - luta contra o terrorismo, governança (termo utilizado para discutir uma transição política), Constituição, eleições -, mas este programa parece excessivamente ambicioso dado o abismo entre as duas partes.

Quatro rodadas de negociações foram realizadas em Genebra desde o início de 2016, mas sem encontrar uma solução para este conflito que, em seis anos, fez mais de 320.000 mortos e milhões de deslocados.

Os mesmos convidados para a rodada de fevereiro confirmaram a sua participação, de acordo com o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, que irá conduzir estas negociações indiretas.

- Negociações difíceis - "Serão 'proxy talks', e as negociações diretas estão excluídas", indicou à AFP uma fonte ocidental próxima às negociações.

De Mistura, que deseja que os quatro temas da agenda sejam discutidos "em paralelo", deverá "filtrar e aparar as arestas", disse a fonte.

Mas sua tarefa será difícil, porque de acordo com analistas e diplomatas, a oposição e, especialmente, o regime não parecem dispostos a fazer concessões.

A oposição continua a exigir a saída do presidente sírio, Bashar al-Assad. Por sua vez, Damasco quer que a "luta contra o terrorismo" - termo usado pelo governo para designar todos os seus adversários - seja prioridade.

"Não há esperança na minha opinião", afirmou à AFP Thomas Pierret, especialista em Síria da Universidade de Edimburgo. "O regime continua a ganhar terreno (...) e não há nenhuma razão para fazer quaisquer concessões."

Desde a intervenção militar na Síria de seu poderoso aliado russo no final de 2015, o regime do presidente Assad inverteu completamente a situação, com uma série de vitórias sobre os rebeldes e os extremistas islâmicos.

Em dezembro, o exército assumiu recuperou toda a cidade de Aleppo, a sua vitória mais importante.

"Essas negociações são muito difíceis", argumenta uma fonte diplomática francesa. "A oposição está dividida e temos visto uma degradação de suas forças ante o regime".

- Teimosia - "Há pouca esperança por causa da teimosia da outra parte que não quer realmente encontrar uma solução", afirma Yehya Aridi, um dos conselheiros do Alto Comitê de Negociações (HCN), que reúne os principais grupos de oposição.

Para Bassam Abu Abdullah, analista próximo ao regime sírio, são os aliados regionais e a rebelião que procuram obstruir uma solução.

"Pela primeira vez há uma agenda clara (em Genebra). Mas cada vez que há um avanço político, combatentes ligados a potências regionais conduzem novos ataques", disse o diretor do Centro de Damasco para estudos estratégicos.

Ele se referia à ofensiva lançada no domingo por rebeldes e jihadistas em Damasco, a mais violenta em dois anos.

As duas delegações chegam nesta quarta-feira em Genebra. O adjunto do enviado especial, Ramzy Ezzeldin Ramzy, terá a tarefa de dar as boas-vindas, enquanto De Mistura visita Moscou e Ancara, dois patrocinadores do cessar-fogo em vigor na Síria desde 30 de dezembro.

Do lado da oposição, até recentemente apoiada pelos Estados Unidos, a dúvida reina, uma vez que a administração de Donald Trump não forneceu qualquer sinal de envolvimento na busca de uma solução ao conflito sírio.

lar-cf/ram/iw/mr

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos