Novas detenções 'significativas' relacionadas ao atentado de Londres

Londres, 24 Mar 2017 (AFP) - A polícia britânica anunciou nesta sexta-feira duas novas detenções "significativas" relacionadas ao atentado que deixou quatro mortos na quarta-feira em Londres e revelou que o verdadeiro nome de Khalid Masood, autor do ataque, era Adrian Russell Ajao.

Mark Rowley, comandante da unidade antiterrorista da Scotland Yard, afirmou que "foram realizadas mais duas detenções significativas durante a noite" e que nove pessoas continuam em detenção preventiva.

Na quinta-feira, a polícia anunciou a detenção de oito pessoas com idades entre 21 e 58 anos - cinco homens e três mulheres - em seis locais distintos. Sete foram detidas em Birmingham (centro) e uma em Londres. Um indivíduo foi colocado em liberdade sem fiança.

As forças de segurança realizaram operações de busca em 21 endereços, de acordo com Rowley. O policial afirmou que não existe nenhum elemento que permita acreditar em uma nova ameaça.

A investigação, disse Rowley, se concentra em entender a motivação do autor do atentado, morto pela polícia, e a preparação do ato, que também deixou 50 feridos, dois deles em estado crítico e outro entre a vida e a morte.

"Queremos saber se agiu absolutamente sozinho, inspirado por propaganda terrorista, ou se recebeu ajuda de outros", afirmou o policial, antes de pedir a ajuda da população.

O autor do ataque, Masood, tinha 52 anos - uma idade considerada elevada neste tipo de atentado. Ele nasceu no dia 25 de dezembro de 1964 no condado de Kent, sudeste do país. A mudança de nome indica a conversão ao islã.

A imprensa britânica informou que ele trabalhou como professor na Arábia Saudita, na década passada, quando se radicalizou, antes de retornar ao Reino Unido em 2009.

- Milagre -Masood/Russell "não era objeto de nenhuma investigação" e os "serviços de inteligência não possuíam elementos sobre sua intenção de executar um atentado terrorista", informou a Scotland Yard.

O deputado Dominic Grieve, presidente da Comissão Parlamentar sobre Inteligência e Segurança, declarou à BBC que as forças de segurança desbarataram uma dezena de projetos de atentados nos últimos 18 meses no Reino Unido e que era "um milagre" que o ataque não tenha acontecido antes.

Masood cresceu em Rye, Kent. Desde junho do ano passado morava em Birmingham com a mulher e os filhos, de acordo com vizinhos que o descreveram como "muito religioso

Ele teve muitos problemas com a lei e tinha várias condenações por agressões e delitos de distúrbios públicos, mas não de terrorismo, segundo a polícia.

Sua última condenação acontecera em dezembro de 2003 por posse de arma branca.

"Há alguns anos foi objeto de uma investigação do MI5", o serviço britânico de inteligência interna, relacionada ao "extremismo violento", afirmou na quinta-feira a primeira-ministra Theresa May no Parlamento, antes de explicar Masood era "um personagem secundário naquele caso.

- Segurança reforçada -Horas antes de cometer o atentado, o indivíduo passou por um hotel de Brighton, na costa sul da Inglaterra, segundo o gerente do estabelecimento.

"Era muito simpático, sorria com os funcionários. É assustador. Agora não sabemos mais quem são os bons e quem são os maus", afirmou Sabeur Toumihere ao canal Sky News.

A polícia compareceu ao hotel depois de encontrar uma nota fiscal do estabelecimento no carro alugado que Masood utilizou para atropelar os pedestres na Ponte de Westminster.

Três pessoas morreram na ponte, diante do Big Ben: Aysha Frade, uma londrina de origem espanhola de 43 anos, mãe de duas meninas, o turista americano Kurt Cochran, 54 anos, que celebrava bodas de prata na capital inglesa, e Leslie Rhodes, um londrino de 75 anos.

A quarta vítima fatal foi o policial Keith Palmer, um pai de família de 48 anos, esfaqueado pelo criminoso nas proximidades do Parlamento de Westminster. Outro agente matou Khalid Masood durante o ataque.

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou o atentado na quinta-feira. O ataque de Londres aconteceu no dia em que os atentados que deixaram 32 mortos em Bruxelas completaram um ano.

Todas as avenidas ao redor do Parlamento, centro turístico da capital britânica, estavam abertas ao trânsito nesta sexta-feira. Mas as autoridades pretendem reforçar nos próximos dias a segurança em Londres, onde a presença de policiais deve dobrar nas ruas.

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