Chimpanzé Cecilia troca zoo argentino por santuário natural no Brasil

Buenos Aires, 5 Abr 2017 (AFP) - A chimpanzé Cecilia deixa nesta terça-feira o zoológico argentino onde nasceu e viveu por 19 anos para ser transferida para sua nova casa, um santuário natural no Brasil, informou à AFP a entidade protetora de símios Projeto GAP.

"É a primeira chimpanzé do mundo que está usufruindo do direito de viver em um santuário, concedido por meio de um habeas corpus, um instrumento jurídico até então exclusivamente humano", disse a instituição em um comunicado.

Cecilia estava triste e sozinha nos últimos anos. O objetivo da transferência é melhorar sua qualidade de vida. Ficou ainda mais deprimida quando seus companheiros de cativeiro Charly e Xuxa morreram.

"É preferível que vá e viva em outra comunidade com outros chimpanzés antes de transferi-la a outro zoológico privado, onde vai estar sozinha ou com outro chimpanzé, no caso deste aceitá-la", disse o secretário do Meio Ambiente de Mendoza, Humberto Mignorance.

A chimpanzé passará do zoológico para o Santuário de Grandes Primatas, em Sorocaba.

"Este dia entrará para a história mundial, na luta pela liberdade e pelos direitos dos animais não humanos", disse o Projeto GAP.

O habeas corpus foi impulsionado pela ONG argentina Associação de Funcionários e Advogados pelos Direitos dos Animais (Afada).

O animal é "um sujeito de direito e não um objeto" que "se encontrava em condições de cativeiro deploráveis no zoológico", segundo o texto da demanda da Associação, que teve uma sentença favorável na justiça.

"Outras tentativas de libertação de grandes primatas em cativeiros inapropriados no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa por meio de um habeas corpus já foram feitas, mas até o momento não tiveram êxito", disse o Projeto GAP.

"No Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba, ela passará por um período de quarentena e depois sera integrada a um dos grupos de mais de 50 chimpanzés", acrescentou a entidade.

Um antecedente deste caso é o de Sandra, orangotango de 29 anos que vivia no zoológico de Buenos Aires. Um habeas corpus da Afada conquistou uma sentença inédita na justiça em 2014, que lhe concedeu direitos básicos como "sujeito não humano" para ser transferida para o Brasil e viver em semiliberdade.

A sentença ainda não foi executada porque temem que Sandra não sobreviva à viagem.

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