Colômbia enterra vítimas de deslizamento e planeja reconstrução de Mocoa

Mocoa, Colômbia, 4 Abr 2017 (AFP) - A Colômbia sepulta nesta terça-feira dezenas das 273 pessoas que morreram em um deslizamento de terra na cidade de Mocoa, sul do país, ao mesmo tempo que planeja a reconstrução da área devastada.

O panorama na capital do departamento de Putumayo é de destruição e dor.

"Fizemos uma recontagem dos que, infelizmente, faleceram. A última é de 273 pessoas falecidas e 262 feridos", disse o presidente Juan Manuel Santos após percorrer o local da tragédia na segunda-feira à noite.

Vendedores ambulantes caminham pelas ruas devastadas e oferecem velas e lanternas. A cidade ainda não conseguiu recuperar o sistema de distribuição de água e 80% das residências continuam sem energia elétrica.

As pessoas utilizam máscaras para evitar a poeira provocada pelo barro e a lama.

Santos, que passou a noite em Mocoa para supervisionar os trabalhos de ajuda e reconstrução, informou que pelo menos 100 corpos foram entregues às famílias para o sepultamento.

Mas a tarefa de identificação é difícil e pode atrasar em alguns casos.

Para acelerar o processo, a Procuradoria Geral colombiana enviou a Mocoa uma equipe de 45 peritos.

O deslizamento de terra na sexta-feira à noite, provocado pela cheia de três rios após as fortes chuvas, também deixou quase 200 desaparecidos e afetou 45.000 pessoas. Mocoa tem quase 70.000 habitantes, anunciou a governadora de Putumayo, Sorrel Aroca.

A busca de sobreviventes prossegue, mas as equipes de resgate informaram que em catástrofes similares a janela para encontrar pessoas vivas é de 72 horas.

Este deslizamento que, segundo um estudo poderia se repetir em 385 outros locais da Colômbia, supera o último grande desastre natural registrado no país, uma enxurrada em Salgar, que matou 92 pessoas em maio de 2015.

- Reconstrução vai demorar três anos -Para evitar um foco de doenças, o governo iniciou uma campanha de vacinação. Os desabrigados, incluindo milhares de menores de idade, recebem ajuda alimentar e de higiene, assim como assistência psicológica e refúgio em cinco abrigos.

Para atender de maneira mais rápida as necessidades após a tragédia, o presidente Santos decretou emergência econômica, social e ecológica, ao mesmo tempo que nomeou o ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, como gerente de reconstrução.

"Isto já começou, mas não é um trabalho que vai levar semanas ou meses, vamos permanecer aqui por pelo menos dois anos e meio ou três, inclusive o próximo governo terá que fazer as coisas", disse Villegas.

Santos afirmou que "as casas que vamos reconstruir não ficarão em áreas de alto risco", antes de reconhecer que grande parte do que "aconteceu aqui e em muitas partes da Colômbia" foi que as pessoas construíram em zonas próximas a rios e riachos, por onde passam as inundações.

Para a reconstrução de Mocoa, Santos prometeu novos aqueduto, hospital e uma central de energia "para superar a emergência e para ficar melhor que antes".

lda-mav/fp

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