Índia: morre muçulmano agredido por defensores das vacas

Nova Délhi, 5 Abr 2017 (AFP) - Um muçulmano indiano morreu dois dias depois de ser agredido por uma milícia hindu de "proteção das vacas", anunciou nesta quarta-feira a polícia, em um contexto de tensões políticas e religiosas a respeito deste animal sagrado para o hinduísmo.

Pehlu Khan, 55 anos, transportava algumas vacas em seu caminhão no sábado por uma estrada de Alwar, no estado de Rajasthan (oeste do país), quando foi atacado por centenas de pessoas que o acusavam de transportar os animais de modo ilegal.

Khan não resistiu aos ferimentos e faleceu na segunda-feira no hospital.

Em várias regiões do norte e do oeste da Índia grupos autoproclamados de "proteção das vacas" interceptam veículos que transportam gado nas rodovias. As milícias alegam que apenas desejam impedir a morte das vacas, que é proibida em muitos estados do país.

A polícia de Alwar abriu uma investigação por assassinato, mas ainda não se pronunciou sobre as causas da morte do muçulmano.

"Estamos esperando o relatório da necropsia, mas ele tinha múltiplas fraturas nas costelas", declarou à AFP o chefe de polícia de Alwar, Rahul Prakash.

Outras seis pessoas ficaram feridas no ataque, mas já receberam alta do hospital.

Ao menos 10 muçulmanos morreram em incidentes similares na Índia nos últimos dois anos, acusados de ingerir carne bovina ou de contrabando de vacas.

Os críticos afirmam que estes grupos ganharam força com a chegada ao poder em 2014 do nacionalista hindu Nerendra Modi.

O primeiro-ministro, que permaneceu em silêncio durante muito tempo sobre o tema, acusou no ano passado estas milícias de utilizarem a religião como desculpa para cometer crimes.

No estado de Uttar Pradesh, o de maior população da Índia, o novo governo local, dirigido por um hindu radical, iniciou uma ofensiva contra a indústria da carne bovina, tradicionalmente administrada pelos muçulmanos.

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