Hamas enforca três homens acusados de colaborar com Israel

Gaza, Territórios palestinos, 6 Abr 2017 (AFP) - O Hamas, que governa a Faixa de Gaza, cumpriu nesta quinta-feira a promessa de represálias após o misterioso assassinato de um de seus comandantes e executou três homens acusados de colaborar com Israel, grande inimigo do movimento radical palestino.

Os três homens foram enforcados em uma área de treinamento dentro de um complexo da polícia.

Esta foi a primeira execução coletiva no território desde 2014. Os enforcamentos aconteceram em um contexto de pedidos de vingança por parte do Hamas, após o misterioso assassinato de um de seus comandantes em 24 de março em Gaza.

O movimento radical palestino acusa Israel pelo assassinato.

Os homens executados nesta quinta-feira não haviam sido acusados pela morte de Mazen Faqha, e sim por atos anteriores. Mas o Hamas prometeu, após o assassinato de seu comandante, punir os palestinos considerados culpados de colaboração com Israel.

O procurador-geral Ismail Khaber havia anunciado na quarta-feira execuções de colaboracionistas nos próximos dias.

Os três homens executados tinham 55, 42 e 32 anos, de acordo com o ministério do Interior de Gaza, que divulgou apenas as iniciais dos réus.

Acusados de traição e colaboracionismo, o trio foi condenado à morte pela justiça militar.

De acordo com o ministério, os atos de "colaboracionismo" de um deles remontam a 1987. Os três homens foram acusados, especialmente, de repassar a Israel informações que permitiram ataques a posições dos grupos palestinos armados.

As informações sobre inquéritos do tipo são marcadas pelo máximo sigilo na Faixa de Gaza e as condições dos julgamentos não são divulgadas.

O ministério do Interior não vinculou os três homens à morte de Mazen Faqha.

O Hamas não divulgou nenhuma informação precisa que permita ao grupo acusar Israel pela morte de Faqha. Para analistas, existem outras pistas plausíveis, como as lutas internas dentro do movimento e até mesmo um ajuste de contas de salafistas rivais do Hamas.

Israel, no entanto, é um suspeito designado. O Hamas e o Estado hebreu já protagonizaram três guerras na Faixa de Gaza desde que o movimento islamita retomou o controle do território após uma guerra civil em 2007.

O governo israelense impõe há uma década um rigoroso bloqueio ao território, que o Hamas governa sem concessões.

Israel já matou vários dirigentes do Hamas e acusava Mazen Faqha de ser o cérebro de vários atentados suicidas cometidos durante a segunda Intifada (2000-2005).

Faqha, que tinha 38 anos, supervisionava as células do braço armado do Hamas no norte da Cisjordânia, território palestino separado geograficamente de Gaza por Israel e ocupado pelo exército israelense.

O ministro israelense da Defesa, Avigdor Lieberman, negou as acusações do Hamas sobre a morte de Faqha, dando a entender que este pode ter sido vítima de uma disputa interna do grupo.

O assassinato de Faqha coincide com a ascensão à frente do Hamas na Faixa de Gaza de Yahya Sinouar, o que marca o avanço dos militares ante os políticos dentro do grupo palestino.

Israel e Hamas mantêm, desde o último confronto em 2014, um cessar-fogo tenso e instável nos dois lados da fronteira.

az-my-lal/fp

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