EUA ataca regime sírio e Rússia denuncia agressão a 'Estado soberano'

Washington, 7 Abr 2017 (AFP) - Os Estados Unidos dispararam dezenas de mísseis nesta quinta-feira contra alvos na Síria, em resposta a um ataque com armas químicas atribuído ao regime de Bashar al Assad, provocando uma forte reação da Rússia, que qualificou a ação americana de "agressão a um Estado soberano".

O presidente americano, Donald Trump, justificou o ataque afirmando que "usando gás sarin, Assad tirou a vida de homens, mulheres e crianças indefesos". "Para muitos, foi uma morte lenta e brutal, incluindo bebês assassinados cruelmente".

"Esta noite ordenei um bombardeio contra a base aérea da qual partiu este ataque. Isto atende aos interesses vitais da segurança nacional dos Estados Unidos, que devem prevenir e deter o uso de armas químicas letais".

"Não pode haver dúvidas sobre o fato de que a Síria utilizou armas químicas proibidas, violou seus compromissos com a Convenção de Armas Químicas e ignorou as advertências do Conselho de Segurança das Nações Unidas".

"Peço a todas as Nações civilizadas que se unam a nós para buscar o fim do derramamento de sangue na Síria e também para acabar com o terrorismo, de qualquer tipo". "Esperamos que enquanto os Estados Unidos defenderem a justiça; a paz e a harmonia prevaleçam no final".

O presidente russo, Vladimir Putin, reagiu qualificando o ataque de agressão a um estado soberano, que viola as normas do direito internacional" e foi baseado em "pretextos inventados".

Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, "esta ação de Washington causa um dano considerável nas relações russo-americanas, que já se encontram em um estado lamentável".

Uma oficial do Pentágono informou que 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk foram disparados contra a base aérea de Shayrat, de onde segundo Washington partiu o ataque químico, que deixou 86 mortos, incluindo vinte crianças.

Outro oficial revelou que os Tomahawk foram lançados dos navios de guerra USS Porter e USS Ross, que navegavam no leste do Mar Mediterrâneo.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), "quatro militares, incluindo um general de Brigada da Força Aérea", morreram no ataque. "Há ainda dezenas de feridos".

O diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, revelou que "o aeroporto foi quase totalmente destruído" e "a zona de estacionamento de aviões, o depósito de combustível e prédio da defesa aérea estão pulverizados".

A base de Shayrat (Al-Chaayrate) é a segunda maior da Síria, depois de Latakia (oeste), e abriga "aviões Soukohi-22, Soukhoi 24 e Mig-23", de acordo com o OSDH.

Shayrat, situada cerca de 40 km a sudeste da cidade de Homs, também é apontada como um centro de fabricação de barris de explosivos e montagem de mísseis com substâncias químicas.

O governador da província de Homs, Talal Barazi, destacou que "a Força Aérea presente no aeroporto de Shayrat constitui um apoio importante às forças armadas que enfrentam o grupo Estado Islâmico (EI) na região de Palmira".

O comandante Jeff Davis, porta-voz do Pentágono, informou que "as forças russas foram alertadas antes do ataque através da linha estabelecida".

"Os estrategistas militares americanos tomaram as precauções necessárias para minimizar os riscos do pessoal russo ou sírio estacionado na base aérea".

Os militares americanos e russos estabeleceram uma linha de comunicação especial para trocar informações sobre suas respectivas operações na Síria, de modo de evitar qualquer incidente entre seus aviões.

A TV estatal em Damasco qualificou o ataque de "agressão americana contra alvos militares sírios com diversos mísseis".

"Esta agressão americana ocorre após a campanha midiática de alguns países (...) pelo que ocorreu em Khan Cheikun", informou a agência oficial de notícias Sana.

Um funcionário americano revelou que Trump informou pessoalmente ao presidente chinês, Xi Jinping, sobre o ataque ao regime sírio.

Trump e Xi se encontraram nesta quinta-feira em Mar-a-Lago, na Flórida, onde na sexta-feira haverá uma "cúpula informal" entre os dois líderes para analisar distintos temas de interesse global.

A Coalizão da oposição síria "saudou o ataque e pediu a Washington que neutralize a capacidade de Assad de realizar tais ataques (químicos)" . "Esperamos que prossigam os bombardeios" americanos.

Na noite desta quinta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas não conseguiu obter um acordo sobre uma declaração envolvendo o ataque com armas químicas, enquanto circulavam informações sobre um eventual bombardeio americano à Síria.

No final da reunião, o embaixador da Rússia, Vladimir Safronkov, advertiu para os riscos de um ataque americano à Síria.

"Se ocorrer uma ação militar, toda a responsabilidade recairá sobre os que iniciaram uma empresa tão trágica e duvidosa", disse o diplomata russo na saída da reunião.

Após o ataque, o secretário americano de Estado, Rex Tillerson, declarou que a Rússia falhou com suas responsabilidades.

O ataque desta quinta-feira representa um claro giro na política americana em relação à Síria. Há apenas uma semana, a diplomata americana na ONU, Nikki Haley, declarou que a saída de Assad do poder não estava entre as "prioridades" de Washington.

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