Madri afirma que ETA não obterá benefícios por entregar suas armas

Madri, 7 Abr 2017 (AFP) - A organização separatista basca ETA não vai obter nada em troca de seu desarmamento unilateral, anunciado para sábado, alertou nesta sexta-feira o porta-voz do governo da Espanha.

"Que o ETA saiba que não deve esperar nada do governo, que não obterá qualquer benefício político", indicou Íñigo Méndez de Vigo à imprensa.

"Que se desarmem e que se dissolvam e é isso o que devem fazer, mas não vão obter nada de um Estado democrático como o espanhol", acrescentou, assinalando que essa é a posição inalterada do governo de Mariano Rajoy frente a ETA.

Ele também afirmou que devem pedir perdão e ajudar a "esclarecer os crimes que não foram esclarecidos".

"Isso é importante para as vítimas", insistiu.

Um militante francês da associação basca Bizi, afirmou nesta sexta que o ETA já entregou as armas a representantes da sociedade civil na França, depois de ter anunciado que seu "desarmamento total" ocorrerá neste sábado.

"O ETA entregou as armas à sociedade civil. Estão em território francês", indicou à AFP o militante ecologista basco "Txetx" Etcheverry, confirmando uma declaração que o ETA enviou na quinta-feira à BBC.

O arsenal seria composto por cerca de 130 armas e duas toneladas de explosivos.

"Desde o ano passado, temos a responsabilidade política e técnica do desarmamento do ETA. Fizemos isso", afirmou Etcheverry, que se apresenta como um "artífice para a paz".

No entanto, este militante não comunicou detalhes sobre as "modalidades", que indicou que são "confidenciais", nem sobre o que acontecerá depois com o arsenal composto por armas e explosivos.

"A partir de amanhã (sábado), especialistas farão uma série de verificações", indicou este militante, em referência aos membros da Comissão Internacional de Verificação, uma estrutura não reconhecida por Madri nem Paris que supervisiona a aplicação do cessar-fogo declarado pelo ETA em 2011.

Uma fonte próxima às forças de segurança indicou que a polícia francesa junto a especialistas em desminagem estão mobilizados no País Basco francês "prontos para intervir".

Na véspera, a organização separatista armada basca confirmou que no sábado concluirá seu desarmamento, após mais de 40 anos de violência e mais de 800 vítimas fatais, em carta publicada pela BBC.

O Partido Nacionalista Basco (PNV, conservador), o 'Euskadi Ta Askatasuna' (País Basco e Liberdade), considerado "terrorista" pela União Europeia (UE), também anunciou que está pronto para se desarmar incondicionalmente em 8 de abril.

Mais de 4.500 pessoas se somaram em dois dias a um manifesto promovido, entre outros, pela associação de vítimas do ETA, no qual pedem um fim sem impunidade ao grupo separatista armado basco.

Os signatários afirmam que "a primeira coisa que deve ser exigida da organização terrorista, e de seu enredo político, é a condenação da história de terror do ETA".

Além disso, se mostram contrários a flexibilizar a política penitenciária contra os presos do ETA.

O manifesto, publicado na internet há três dias, contrasta com outro apresentado na quarta-feira pela maioria dos partidos políticos bascos, com exceção do conservador Partido Popular, no qual exigiam que os governos francês e espanhol facilitassem o desarmamento do grupo separatista.

Madri mantém a sua postura. "Não haverá transações nem concessões com aqueles que provocaram tanto sofrimento, tanta dor e tantos anos de medo", disse o ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido.

Em outubro de 2011, o ETA anunciou sua renúncia definitiva a mais de quatro décadas de luta armada pela independência do País Basco e Navarra, durante as quais foi acusado de 829 assassinatos, o último em 2010 na França.

Seu último atentado ocorreu em 2010, quando assassinou um policial na França, elevando o balanço final de mortes atribuídas à organização a 829.

Até agora, o grupo rejeitava o desarmamento e a dissolução unilateral exigida por Paris e Madri e pedia uma negociação sobre a situação de seus presos.

No entanto, recentemente o governo regional basco anunciou que o ETA estava pronto para se desarmar incondicionalmente em 8 de abril.

Este gesto de sábado será acompanhado por celebrações organizadas por associações e partidos bascos em Bayonne, no sudeste da França.

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