Malala Yousafzai recebe cidadania honorária canadense

Ottawa, 12 Abr 2017 (AFP) - Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, se tornou na quarta-feira a sexta pessoa a receber a cidadania honorária canadense, pedindo ao país que defenda a educação das meninas em todo o mundo.

A ativista paquistanesa foi recebida pelo primeiro-ministro Justin Trudeau. Aos 19 anos, Malala é a pessoa mais jovem a discursar para membros do Parlamento e senadores canadenses em uma sessão conjunta.

Ela também é a mais jovem a receber a cidadania honorária do Canadá - um privilégio concedido anteriormente a cinco personalidades, entre elas Nelson Mandela e o Dalai Lama.

"Querido Canadá, estou lhe pedindo para liderar mais uma vez", disse Malala, com uma ovação de pé.

Ela exortou o Canadá a usar seu turno como presidente do grupo das sete nações industrializadas (G7) em 2018 para pressionar pela educação de meninas e refugiados.

Malala disse que Trudeau também deve pedir a outros líderes mundiais que façam mais pela educação.

A ativista lutou durante anos pelo direito das meninas à educação em sua região de origem, estritamente muçulmana, no Paquistão.

Malala ganhou fama global depois de que um talibã atirou na cabeça dela em um ônibus escolar em outubro de 2012 por ela defender seu direito de frequentar a escola.

Após o ataque, ela foi submetida a uma operação bem sucedida e passou a viver na cidade britânica de Birmingham, onde continua defendendo os direitos das mulheres.

Na cerimônia, ela agradeceu os anfitriões e expressou emoção em particular sobre o encontro com Trudeau, a quem elogiou por falar em nome dos direitos das mulheres, da igualdade de gênero e dos refugiados "em uma época em que o mundo está desesperançado".

"A sua história é a de uma garota normal fazendo coisas extraordinárias, uma heroína de todos os dias (...), uma defensora destemida das meninas que não quer nada além de ver mais crianças em salas de aula", disse Trudeau ao apresentar Malala aos legisladores.

"E, além disso, você é incrivelmente humilde", acrescentou.

Malala havia sido convidada ao Canadá pelo governo conservador anterior em 2014 - quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz - para receber a cidadania canadense em Toronto.

Mas a cerimônia foi adiada devido ao ataque a uma guarda cerimonial e ao Parlamento no mesmo dia.

"O homem que atacou a Colina do Parlamento se chamou de muçulmano, mas ele não compartilhou a minha fé e não compartilhou a fé de 1,5 bilhão de muçulmanos que vivem em paz em todo o mundo", expressou Malala.

Em seu discurso, ela desafiou a juventude canadense a se levantar e fazer a diferença.

"Eu queria dizer às crianças do Canadá que quando eu era pequena, eu costumava esperar para ser uma adulta para liderar. Mas eu aprendi que até a voz de uma criança pode ser ouvida em todo o mundo", disse.

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