Temer nega acusações da 'Lava-Jato'

Brasília, 13 Abr 2017 (AFP) - O presidente brasileiro, Michel Temer, afirmou nesta quinta-feira que "jamais" esteve a par dos negócios ilícitos entre empresários da Odebrecht e políticos, depois de revelarem a delação que o envolve na negociação de uma propina milionária.

Em uma declaração feita às autoridades em dezembro de 2016, o ex-executivo da empreiteira Márcio Faria revela detalhes de uma reunião ocorrida em 2010 junto com políticos do PMDB - entre eles Temer - para confirmar um pagamento de 40 milhões de dólares ao partido, propina que asseguraria à Odebrecht a concessão de um contrato com a Petrobras.

Temer admitiu ter participado da reunião, mas negou ter conhecimento de tais negociações: "a mentira é que nessa reunião eu teria ouvido referência a valores financeiros ou a negócios escusos da empresa com políticos", afirmou o presidente em um vídeo oficial divulgado pela Presidência nesta quinta-feira à tarde.

"Isso jamais aconteceu. Nem nessa reunião nem em qualquer outra reunião que eu tenha feito ao longo da minha vida pública com qualquer pessoa física ou jurídica. Jamais colocaria a minha biografia em risco", acrescentou.

O vídeo da delação de Faria foi divulgado na quarta-feira junto com centenas de outras delações de ex-executivos da empreiteira que aceitaram colaborar com a Justiça em troca da redução de suas condenações.

Apelidada de "a delação do fim do mundo", a confissão em massa da Odebrecht - que teve um papel fundamental no esquema de subornos da Petrobras - levou a uma onda de investigações contra oito ministros do governo Temer, um terço do Senado e cerca de 40 deputados.

Temer, que assumiu a Presidência em 2016 após a destituição de Dilma Rousseff por maquiar as contas públicas, não pode ser investigado por casos externos a seu mandato.

Em 2010, quando participou da reunião em questão, era candidato à vice-presidência.

"A minha maior aliada é a verdade, matéria-prima do poder judiciário, que revelará toda a verdade dos fatos", afirmou.

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