Atentado contra retirada de civis mata mais de 40 pessoas na Síria

Beirute, 15 Abr 2017 (AFP) - Ao menos 43 pessoas morreram neste sábado quando um suicida detonou um carro-bomba perto da cidade síria de Aleppo contra ônibus que transportavam civis e combatentes evacuados no dia anterior das localidades pró-regime, de acordo com um novo balanço do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

"O suicida estava dirigindo uma caminhonete que transportava ajuda alimentar e detonou o veículo perto dos 75 ônibus" estacionados em Al Rashidin, setor rebelde a oeste da metrópole, de acordo com OSDH.

Cerca de 5.000 pessoas evacuadas na sexta-feira das cidades de Fua e Kafraya, duas localidades favoráveis ao regime e sitiadas pelos rebeldes, estavam a bordo dos ônibus visados.

A evacuação se deu em virtude de um acordo que permitiu a evacuação simultânea de duas cidades rebeldes sitiadas pelo regime.

O correspondente da AFP no local viu muitos cadáveres, alguns carbonizados, incluindo de crianças, e membros espalhados pelo chão, perto dos ônibus destruídos pela explosão.

Ele também viu um grande número de feridos e pessoas em pânico na área onde os ônibus estão estacionados.

A oposição síria condenou o ataque.

"Rejeitamos todas as acusações contra a oposição por este crime odioso. Nosso papel era garantir a segurança dos civis, não matá-los", afirmou o grupo rebelde Ahrar al Sham no Twitter.

Antes do ataque, as milhares de pessoas evacuadas das quatro cidades sitiadas permaneciam bloqueadas desde sexta-feira em razão de divergências entre as partes em conflito, impedindo-os de prosseguir viagem.

Na sexta-feira, mais de 7.000 pessoas foram evacuadas simultaneamente de Fua e Kafraya (5.000) e das cidades rebeldes de Madaya e Zabadani (2.200), de acordo com OSDH.

Estas evacuações, as últimas de uma longa série desde o início, há cerca de seis anos, da guerra na Síria, foi possível graças a um acordo entre todas as partes que foi patrocinado pelo Catar, que apoia os rebeldes, e o Irã, aliado do regime.

Os habitantes de Fua e Kafraya deveriam se dirigir, passando por Rashidin, a Aleppo, Damasco ou Latakia (oeste), redutos do regime.

Simultaneamente, e também através de Aleppo, os evacuados de Madaya e Zabadani deveriam seguir para a província rebelde de Idlib (noroeste).

Mas em razão de divergências, os evacuados de Fua e Kafraya se viram bloqueados em Rashidin, enquanto os de Madaya e Zabadani ainda estavam esperando em Ramussa, localidade pró-regime a oeste de Aleppo.

Um líder rebelde havia dito à AFP que as diferenças estavam relacionadas ao número de combatentes armados evacuados.

No total, mais de 30.000 pessoas deveriam ser evacuadas em duas etapas sob os termos do acordo alcançado em março.

Vários redutos rebeldes foram tomadas no ano passado pelo regime, com o apoio de sua aliada Rússia que interveio militarmente na Síria em setembro de 2015.

- Reduto do EI -Em outra frente, combatentes apoiados pelos Estados Unidos chegaram nete sábado às portas de Tabqa, cidade do norte da Síria controlada pelo grupo Estado Islâmico (EI) e situada na estrada que leva a Raqa, verdadeiro objetivo das forças antijihadistas.

Trata-se de um grande avanço das Forças Democráticas Sírias (FDS) - aliança de combatentes curdos e árabes -, já que Tabqa, situada a 55 km a oeste de Raqa, representa uma linha de defesa estratégica para a capital de fato do EI.

"As FDS estão agora a centenas de metros de Tabqa", afirmou o (OSDH).

Uma fonte das FDS afirmou que os confrontos estão no auge e que os combatentes antijihadistas tentam entrar pelo leste e oeste da cidade.

No inícioi de abril, as FDS conseguiram cercar a cidade, posicionando-se a alguns quilômetros de Tabqa. A cidade era uma importante sede dos líderes do grupo radical e tinha sua maior prisão, onde foram detidos centenas de ocidentais.

A batalha de Tabqa faz parte da ofensiva "Cólera do Eufrates", lançada em novembro pelas FDS para retomar Raqa.

Com o apoio aéreo da coalizão internacional liderada por Estados Unidos e de assessores no terreno, as FDS conseguiram cortar os dois principais eixos de comunicação com o exterior.

Os Estados Unidos mobilizaram, inclusive, uma bateria de artilharia dos marines para apoiar esta ofensiva.

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